Clube

"Vasco da Gama e da gente está voltando da longa viagem"

“O Vasco é vasto porque é o mar que o inspira”. Aldir Blanc é dos mais geniais brasileiros. E um dos tantos geniais vascaínos que, no sábado, deverão celebrar o acesso de quem não se rebaixou em 2008. Diferentemente de alguns Vascos que ganharam muito com o antigo dono do clube, mas fizeram o Clube de Regatas afundar num mar de tormentas, torturas, traumas e tramoias. A nau vascaína quase soçobrou sem sobras ao dobrar o cabo de águas e lamas soluçantes e sem solução nem para Nossa Senhora das Vitórias.

O Vasco volta para o lugar dele. Que aprenda o que outros gigantes ainda não aprenderam. Que ensine outros enormes a não viverem apenas do nome. A celebração pelo retorno é praxe dessa praga que assola e que desola torcedores tradicionais com o fantasma real do rebaixamento no Brasileirão. Palmas ao elenco, comissão técnica. E até para a direção do clube. Mesmo que parte dela tenha contribuído desgraçadamente para a queda em 2008. Mesmo que alguns deles não possam expiar todos os males e malas do passado recente em outras mãos grandes e desastradas.

O Vasco voltou. Que não retorne a tudo de errado que fez nos anos em que parecia que fazia certo e apenas rasgara os buracos que afundaram a nau do almirante. A base para 2010 já está em São Januário. Precisa ser reforçada. Mas não radicalmente mudada. O caminho das pedras é sabido. As pedreiras, idem. É só não desviar da rota. É só não arrotar prepotência. É só fazer do jeito certo, sem jeitinho. É só honrar a tradição trabalhadora do clube.

O Vasco que vai encher o Maracanã e de alegria os vascaínos pelo Brasil honrará a tradição plural e democrática que havia sido sucateada e sacaneada num passado recente terrível e temível. O Vasco pioneiro entre os grandes do Rio ao escalar negros no time campeão carioca de 1923. O Vasco “que é o símbolo da nacionalidade. É a mistura do português com o negro, caracterizando uma generosidade típica do brasileiro”, nas palavras bem desenhadas do craque dos cartuns Chico Caruso. O Vasco que, para o campeoníssimo Nelson Piquet, tem a sina e a sanha necessárias para um gigante da Colina: “Vestir uma camisa que já vem até com faixa de campeão é coisa de predestinado”. O Vasco que, para nosso grande Sérgio Cabral, é tudo: “Amar o Vasco é ter o amor correspondido. É receber de volta o orgulho pela sua história, a alegria pelas suas façanhas esportivas e a certeza de que ele amanhã será maior e melhor do que é hoje”. Amém.

Os vascaínos sabem muito bem falar de sua paixão. Até porque precisam defender o que muitas vezes é atacado sem dó. Muita gente quis ver o Vasco caído – até alguns vascaínos. Muitos temem a volta por cima vascaína. Exatamente por ser o almirante capaz de singrar mares e desamores sangrando e suando.

O Vasco da Gama português inspirou Luís de Camões a compor “Os Lusíadas”. Poema épico que poderia ser adaptado às proezas não menos heróicas do capitão-mor da frota de épicas esquadras brasileiras no exterior (o pioneiro campeão sul-americano de 1948, por exemplo). Até na Lua tem uma cratera de nome Vasco da Gama. Para quem olha e não enxerga, é apenas mais um buraco no céu. Para quem vê e crê, sabe que é amor cheio como a Lua.

Não importa onde esteja essa paixão, na segunda dos infernos, no espaço, ou numa quinta portuguesa. Importa é que, no sábado, no Maracanã, o time da virada vai virar mais uma vez o jogo. Contra o Velho do Restelo de Camões. Contra os jovens que se refestelaram com tantos erros em São Januário. O santo do sangue que borbulha. Do milagre que renasce a cada ano. Dos navegantes que viajam. Que vão e que voltam. Que Vasco!

O torcedor pediu, o SUPERVASCO.COM atendeu. Aqui a torcida vascaína tem voz.

Agradecemos aos leitores do SUPERVASCO.COM por nos informar da existência desse texto. Com muito orgulho do nosso clube, publicamos aqui para apreciação da grande torcida vascaína. Parabéns vascaínos. Obrigado Mauro Beting.

Fonte: Lancenet!