Política

Homem, 31 a 45, sócio geral, da zona Norte: o perfil da “urna da discórdia”

Homem, de 31 a 45 anos, morador da Zona Norte, que é sócio geral. Este é o perfil dominante do eleitor ao serem analisados os 691 associados do Vasco que integram a lista dos aptos a votar na urna 7, a “urna da discórdia”, que causou polêmica na eleição do clube. O GloboEsporte.com analisou os dados de todos eles para entender melhor quem integra a lista.

Destes 691, 475 compareceram a São Januário na última terça-feira para participar da eleição. Ao todo, 428 deles votaram em Eurico Miranda; 42 em Julio Brant; quatro em Fernando Horta – um voto foi anulado. Foi justamente essa vantagem que deu a vitória ao atual presidente do Vasco na contagem geral – embora uma decisão da Justiça tenha colocado esta urna sub judice.

Ao analisar a lista, com dados como data de nascimento, endereço e entrada como associado, é possível traçar o perfil destas pessoas. Há algumas dificuldades: muitos endereços estão incompletos, assim como há telefones inexistentes – 43 com o número 21 0000-0000 e 122 sem qualquer número. Segundo Eurico, o sócio não é obrigado a informar o telefone quando faz o cadastro.

Há sete sócios sem o CPF cadastrado. Cinco são benfeitores remidos, que não precisam votar apresentando o documento, conforme estabelecido pelo clube. Os outros dois figuram como sócios-gerais.

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Algumas curiosidades da lista:

* Entre os endereços não identificados, foram contabilizados aqueles que apareciam com o nome incompleto e aqueles que, por serem comuns em diversas regiões, não foi possível determinar a localidade exata;

* Os locais com mais associados são as cidades de São João de Meriti (38) e Magé (35), seguidos pelo bairro de Vaz Lobo, na Zona Norte (23);

* As ruas com mais associados são a Avenida Pernambucana, em São João de Meriti (8) e a Rua Lima Drumond, em Vaz Lobo (8);

Ação na Justiça

O GloboEsporte.com tentou contato com diversas pessoas que figuram na lista. Conseguiu falar com duas. Adão Adones de Almeida confirmou ser sócio e reclamou do constrangimento ao ter que votar em uma urna separada.

- Não entendi muito (a urna separada). Correu tudo bem. Está todo mundo envolvendo quem entrou. Está todo mundo sob suspeita. Não gostei desse negócio de votar na urna, porque fui com meu filho. Foi constrangedor – contou.

A gerente administrativa Débora Silva Gomes da Costa afirmou que não percebeu que estava votando em uma urna à parte. Ela revelou que votou em Fernando Horta e que recuperou o título de sócia do Vasco através de um programa de anistia.

- Soube disso (urna sob suspeita) porque li uma matéria. Não faço ideia de por que estou no meio disso. Eu já tinha o título de sócio e fiz a adesão através de uma campanha de anistia. Ninguém me vendeu nada. Não fui comprada. Fiz anistia porque frequento os jogos. Votei no Horta. Não tenho nada a ver com falcatrua do Eurico.

Adão pretende entrar na Justiça por ter se sentido constrangido. Isso deve acontecer com muitos outros sócios que votaram naquela urna. Há a possibilidade de eles entrarem, inclusive, como interessados no processo que corre sobre a urna 7.

- Algumas pessoas vão entrar contra o Horta na Justiça, e entrar nesse processo (o da investigação das urnas separadas) para mostrar que é absolutamente legal. Vão entrar pedindo dano moral pelo constrangimento de pagar o clube há dois, três anos, e votar numa urna separada, com a polícia militar. Isso é discriminatório. Todo mundo via que o cara estava ali. Foi tachado como irregular – afirmou Silvio Godói, vice do clube.

Vice-geral: “A urna é toda nossa”

Na Internet, viralizou um vídeo em que o vice-presidente geral do Vasco, Silvio Godói, afirma, em entrevista à Rede Show de Bola, que a urna 7 teria maioria de votos para Eurico.

- Esta urna é toda nossa – disse.

Procurado pelo GloboEsporte.com, Silvio explicou que disse a frase porque conhecia boa parte dos eleitores – ele também é vice-presidente de Comunicações, responsável pela secretaria do clube.

- Disse isso porque conheço muitos deles, até porque eles foram à secretaria. E muitas pessoas iam votar com o adesivo do Eurico. Como que não vou saber que são Eurico? – ponderou.

Eurico rebate acusações e afirma que não houve irregularidade

Em entrevista coletiva na quinta-feira, Eurico garantiu ter toda a documentação para provar que não "produziu" estes sócios para se beneficiar na eleição.

- Todos os documentos vão ser fornecidos, sem qualquer problema, além dos comprovantes de que o dinheiro está contabilizado. É o que vai acontecer. Dizer que eles (sócios) foram feitos pela diretoria é de uma leviandade. Se a gente quisesse fazer sócios, faríamos como a administração passada. Eu poderia distribuir títulos de benfeitor remido, como ele (Roberto Dinamite) fez.

Fonte: ge