Ex-VP jurídico faz ponderações sobre a SAF do Vasco
O ex-vice-presidente jurídico do Vasco, Felipe Carregal, expressou seu apoio à venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube, mas destacou algumas preocupações. Ele revelou que sempre foi a favor das negociações, mas fez ressalvas sobre a falta de assentos para o Vasco nos conselhos de administração e fiscal da nova SAF.
Carregal criticou a ausência de correção monetária nos aportes previstos no contrato. Segundo ele, essa falta poderia resultar em um valor menor do que o prometido para o clube ao longo dos cinco anos, período em que seriam feitos os aportes de R$ 100 milhões anuais.
Em comunicado ao ge, Carregal explicou que esteve no escritório de José Lamacchia com conhecimento da diretoria vascaína. Durante as negociações, ele ressaltou a importância de o clube ter representação mínima nos órgãos de governança da nova SAF.
Ele também mencionou que defendeu a ocupação de uma cadeira no Conselho de Administração pelo presidente do Vasco. Apesar das divergências, Carregal afirmou que sua função era oferecer orientação jurídica e que a decisão final cabia ao presidente do clube.
No entanto, devido às suas ponderações jurídicas, Carregal relatou ter sofrido pressão para mudar sua opinião sob alegação de que estava atrapalhando as negociações. Após manter sua posição, ele foi afastado das conversas há alguns meses.
Felipe Carregal foi procurado pelo ge e respondeu, confira a íntegra:
“Sim, estive no escritório do Seu José em algumas oportunidades, sempre com a ciência de membros da diretoria. Em um primeiro momento, quando o investidor voltou à mesa de negociação no ano passado, atuei para aparar as arestas existentes entre as partes, em razão da negociação anterior, que acabou não sendo concluída.
Quanto à venda em si, sempre fui favorável, em ambas as negociações realizadas. O próprio presidente é testemunha ocular disso.
Na segunda negociação, na qualidade de Vice-Presidente Jurídico, ressaltei a necessidade de o clube ter um representante no Conselho de Administração e no Conselho Fiscal da nova SAF. O investidor não queria. Fiz essa ponderação porque entendo que o acionista minoritário - no caso, o clube - deveria ter uma mínima representatividade nesses órgãos de governança. Evidentemente, o investidor teria a maioria absoluta das indicações para ambos os conselhos, mas o clube, na condição de acionista minoritário, deveria estar representado institucionalmente para exercer, de alguma forma, os poucos direitos que lhe caberiam dentro desses conselhos.
Também defendi que a cadeira destinada ao clube no Conselho de Administração da nova SAF fosse ocupada pelo presidente do CRVG. Inclusive, manifestei esse entendimento diretamente ao investidor em determinada oportunidade.
Vale lembrar que no acordo de acionistas firmado com a 777, o clube possuía duas cadeiras. E os americanos, cinco cadeiras. O Conselho Fiscal, por sua vez, era composto por dois membros indicados pela 777 e um pelo clube.
Outro ponto por mim alertado foi a ausência de previsão de correção monetária dos aportes. Na minha avaliação, os valores previstos deveriam ser atualizados monetariamente ao longo do tempo (seriam feitos em 5 anos), como em qualquer contrato com pagamentos diferidos no tempo. Era assim no contrato com a 777.
Além da questão jurídica, esses pontos também me preocupavam porque poderiam gerar resistência ao negócio no âmbito das instâncias deliberativas do clube. Minha preocupação era justamente evitar obstáculos que pudessem retardar ou comprometer a conclusão da negociação. Tenho registro dessas manifestações.
De toda forma, minha atribuição era opinar e orientar sob a perspectiva jurídica. A decisão final, naturalmente, sempre competiu ao presidente do clube. E ele poderia decidir no sentido da minha orientação ou não.
Diante dessas minhas ponderações jurídicas, comecei a ser pressionado a mudar de opinião, sob a justificativa de que a discussão jurídica, compartilhada por outros advogados envolvidos nas negociações, estaria “atrapalhando a venda”. Não mudei meu entendimento e fui afastado das negociações há alguns meses. Não sei dizer a razão pelo qual o MOU não foi assinado até hoje. Ou se já foi assinado.”
Carregal assumiu grande protagonismo na gestão do clube, especialmente após a diretoria associativa (liderada pelo presidente Pedrinho) entrar em litígio e retomar o controle da Vasco SAF, que antes era gerida pela empresa americana 777 Partners.
As informações são do Globo Esporte.
- SuperVasco