Ex-Vasco dá a volta por cima após lesão: 'Me senti como se tivesse no...'
A espera de dois anos finalmente chegou ao fim. Na tarde do último domingo, o lateral-direito Gabriel Dias voltou a pisar em um gramado para uma partida oficial. O jogador entrou no segundo tempo do empate da Inter de Limeira por 2 a 2 contra o Barra-SC, em Santa Catarina, e encerrou um longo hiato em sua carreira causado por uma grave lesão no joelho.
Gabriel Dias não jogava oficialmente desde 9 de março de 2024, quando defendia o Avaí e se lesionou com apenas dois minutos de jogo.
- Foi uma mistura de sentimentos. Ao mesmo tempo tive vontade de chorar, mas também tinha a responsabilidade de contribuir em um jogo difícil fora de casa. Foi uma sensação mista. Eu fiquei muito feliz de voltar a jogar. Me senti como se estivesse no meu primeiro jogo como profissional - revelou o jogador em entrevista ao ge.
- O que passou pela minha cabeça foram vários momentos da carreira. Eu estava ali focado em ajudar a equipe, mas também passou um filme do que passei nos últimos anos, os dias tristes, os dias de dor, os dias sozinho. Foram dias de superação desde a primeira cirurgia, até a segunda, e essa volta por cima - completou.
Para chegar ao momento da reestreia, Gabriel precisou superar não apenas as limitações físicas, mas também barreiras psicológicas. O lateral revelou que o acompanhamento profissional de um psicólogo foi o diferencial para não desistir e pendurar as chuteiras precocemente.
- O momento mais difícil foi a segunda cirurgia. A parte mental é um desafio e tanto. Eu vi muitos companheiros jogando, treinando e você sem a chance de estar junto. Sem a parte da psicologia seria muito difícil eu sustentar sozinho. É claro que Deus e a família são importantes como base, mas a psicologia me auxiliou demais neste processo. Fez muita diferença.
Nos dias em que a dor e o desânimo batiam mais forte, o atleta precisou se apegar à rotina de trabalho.
- Eu queria retornar a jogar futebol. Alguns dias eu estava motivado, mas outros estava mais desanimado, com mais dor, com a parte mental ruim. E nesses dias difíceis o que me manteve foi a disciplina. Muitos dias eu não estava motivado, mas continuei trabalhando. A disciplina foi fundamental para esse processo.
O período afastado das quatro linhas não foi de total inércia. Formado no Palmeiras e com vasta experiência nas principais divisões nacionais - onde defendeu camisas pesadas como Vasco, Internacional, Cruzeiro, Ceará, Fortaleza e Avaí -, o lateral aproveitou o tempo para estudar o jogo sob uma nova ótica.
- Eu acho que sou um jogador diferente. Eu aprendi muito nesse processo, li bastante sobre futebol, fiz curso da CBF, tenho o sonho de ser treinador e estudo bastante para isso. Acho que passei a entender mais o treinador, o elenco e a leitura do jogo melhorou muito também. Eu aproveitei esse tempo que fiquei fora para aprender ainda mais.
A volta por cima aconteceu graças a uma aposta mútua com a Inter de Limeira. Após receber respostas negativas do mercado por conta da longa inatividade, o jogador encontrou no interior paulista a chance do recomeço e espera retribuir em campo.
- Eu precisava voltar ao cenário do futebol e surgiu o convite da Inter. Muitos me disseram não pela questão física, muito tempo parado, mas a Inter acreditou em mim e no meu trabalho. Eu quero mostrar meu valor dentro de campo e retribuir esse voto de confiança do torcedor e da diretoria. Não esperava o carinho que recebi e fiquei muito feliz.
- SuperVasco