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Entenda o que está em jogo entre Vasco e 777 na votação da AGE sobre a SAF

O Vasco pode fazer deste domingo um divisor de águas em seus quase 124 anos de história. Das 10h às 22h, uma Assembleia Geral Extraordinária decidirá se o clube vende ou não 70% de sua Sociedade Anônima de Futebol (SAF) para o grupo americano 777 Partners (detalhes do processo ao final da matéria). Se a transação for aprovada, seguirá o caminho de outros dois gigantes do país: Botafogo (negociou 90% do controle do seu futebol para o americano John Textor) e Cruzeiro (transferiu percentual igual para o ex-jogador Ronaldo).

Dirigentes do Vasco durante visita dos executivos do 777 Partnes Foto: Rafael Ribeiro/Vasco
Dirigentes do Vasco durante visita dos executivos do 777 Partnes Foto: Rafael Ribeiro/Vasco

Na comparação com a dupla, aliás, pode-se dizer que a assembleia de hoje está mais próxima da tensão que marcou o pleito cruzeirense, que contou com um movimento de oposição, do que a tranquilidade da votação botafoguense, onde a aprovação era unanimidade. Uma série de iniciativas na Justiça tentou barrar ou atrasar a votação dos cruz-maltinos, pedindo que os sócios tivessem acesso a detalhes do contrato. Até agora, nenhuma delas foi à frente. E o clube tem esperança de que o evento ocorrerá sem interferências.

Mas, na prática, o que está em jogo no futuro do Vasco caso a venda da SAF seja aprovada? A principal mudança, obviamente, está no controle do futebol, que passará a ser majoritariamente da 777. Pelo acordo, um conselho de administração da SAF será formado com sete membros. Destes, só dois serão indicados pelo clube, que ficará com os 30% restantes da sociedade anônima. Ou seja: a palavra final sobre as decisões a serem tomadas será do grupo americano.

Claro que há limites estabelecidos no acordo. A 777 não poderá mexer em nenhum dos símbolos que definem a identidade do Vasco: brasão, marca, hino, alcunha e cores. Também não poderá alterar os valores do clube, como a valorização da luta pela inclusão dos negros no futebol, o combate ao racismo e a ligação afetiva com Portugal.

O clube garantiu para si, ainda, o poder de veto a decisões que envolvam uma eventual mudança de sede ou de estádio (desde que seja em caráter definitivo).

As decisões do dia a dia do futebol, contudo, passarão a ser dos americanos. Como a definição do futuro treinador do time. Para o jogo de terça, contra a Ponte Preta, o interino Emílio Faro estará no comando. Mas, passada a transferência dos 70% da SAF para a 777, a busca por um técnico permanente se intensificará.

E quem estará à frente deste e outros assuntos, como a contratação de reforços, é um escolhido do grupo. O executivo Paulo Bracks será o homem forte da SAF. Atualmente consultor do 777, é esperado que assuma ainda esta semana. Advogado e pós-graduado em direito desportivo, ele tem passagens pela Federação Mineira, pelo América-MG e pelo Internacional. Mesmo estando fora do Vasco, já participou de reuniões com o estafe de Andrey Santos, que discute renovação, e deu o aval para a aquisição dos direitos de Eguinaldo.

Aprovada a venda, o 777 só vai precisar esperar alguns dias para assumir o futebol, tempo para a atual direção vascaína dar entrada no cartório no processo de transferência dos 70% da SAF. A expectativa é de que esta burocracia leve de um a dois dias, já que toda a documentação está pronta.

Superada esta parte, vem o dinheiro. Mais especificamente R$ 120 milhões, que se somam aos R$ 70 milhões já repassados em forma de empréstimo. Os próximos aportes, conforme revelado pelo colunista do EXTRA Gilmar Ferreira, serão daqui a um ano (mais R$ 120 milhões), em 2024 (R$ 270 milhões) e em 2025 (R$ 120 milhões). Estes valores se somarão às receitas anuais do Vasco, como direitos de TV, venda de atletas, patrocínios, entre outras.

Depois, métricas estabelecidas no acordo tentarão garantir a competitividade da equipe. A cada temporada, o 777 precisa providenciar que o Vasco tenha um dos cinco maiores orçamentos do país. Caso isso não seja alcançado, ao final daquele ano uma parte dos lucros não poderá ser redistribuída pelo grupo aos seus investidores. Ficarão retidos para serem incorporados pela própria SAF. Este bloqueio só será evitado se metas esportivas forem alcançadas.

Ficou estabelecido ainda o pagamento, pelo 777, de mais R$ 700 milhões em dívidas atuais. Ele será feito de forma gradual, de acordo com os vencimentos destas pendências.

São Januário também é parte do acordo. Continua sendo propriedade do clube. Mas a manutenção de todo o complexo, que inclui piscina, o Colégio Vasco da Gama e outras instalações, será financiada pela SAF. Já o estádio será alugado para o futebol mediante o pagamento de R$ 1 milhão por ano. Ao todo, a associação estima uma receita de R$ 10 milhões anuais, com a qual acredita ser possível manter as demais atividades esportivas e sociais.

Perguntas e respostas sobre a votação:

Quando será?

Hoje, das 10h às 22h.

Como será?

Em modelo híbrido, com votação presencial (na sede do Calabouço, no Centro), e online.

Como funcionará o voto online?

As informações de acesso ao ambiente virtual no qual se realizará a votação serão enviadas aos associados por SMS e/ou e-mail.

Quem pode votar?

6.385 sócios das categorias: Benemérito (67), Benfeitor Remido (977), Campeão (120), Emérito (54), Geral (1.265), Grande Benemérito (72), Patrimonial (172), Proprietário Bronze (384), Proprietário Diamante (2.300), Proprietário Ouro (43) e Remido (931). A lista completa se encontra no site do clube.

O que estará sendo votado?

A venda ou não de 70% da SAF do Vasco para a 777 Partners. Com isso, o fundo de investimentos americano assumiria o controle do futebol cruz-maltino com o compromisso de injetar R$ 700 milhões ao longo dos próximos três anos, com parcelas atualizadas pelo IPCA; mais o pagamento de dívidas atuais até o limite de R$ 700 milhões.

Quantos votos são necessários para a aprovação?

A aprovação será por maioria simples. Ou seja: 50% mais um dos votos.

Fonte: Extra Online