Futebol

CBF quer aumentar o 'sarrafo' sobre faltas; o que a entidade entende

A estratégia para aumentar o tempo de bola rolando no futebol brasileiro passa também uma mudança de critério que a comissão de arbitragem da CBF quer aplicar: a ordem é acabar com as faltinhas.

Esse item foi apresentado aos clubes na reunião que aprovou a implementação das novas regras da Fifa no Brasileirão.

É que as faltas e a demora para recolocar a bola em jogo compõem parte significativa da raiz do pouco tempo de bola rolando na Série A, segundo o levantamento que a CBF contratou junto à Opta.

A CBF entende que o Brasil não joga menos futebol, mas desperdiça mais tempo. E as faltas são canal desse desperdício.

Para os árbitros, então, o sarrafo que a CBF quer estabelecer é: apitar só se houver uma ação que de fato interfira na jogada.

Isso representa uma mudança de cultura em relação ao que se faz por aqui, e a CBF reconhece que pode encontrar dificuldades de entendimento em campo e entre os que acompanham o jogo.

Os clubes fizeram cobranças na reunião de ontem. Dirigentes de Vitória e Chapecoense, por exemplo, acusaram que a diferença de critérios dos árbitros no Brasileirão prejudica os clubes de menor investimento em duelos com os grandes

A elevação do limite do que é falta — sem marcar contato normal de disputa e fugindo daquilo que é cavado pelo jogador — também vai ao encontro de uma iniciativa para uniformizar critérios.

E a promessa é cobrar os árbitros para que eles deem uma resposta.

No levantamento que a CBF fez sobre tempo de bola rolando, há a média de faltas marcadas pelos árbitros brasileiros, na comparação com os apitadores das ligas top 5 da Europa.

O Brasil tem maior média de faltas marcadas por jogo: 28,7.

Além disso, considerando a distância entre o árbitro que mais marca e o que menos marca faltas, o Brasileirão é a liga que tem a maior diferença.

No Brasil, o árbitro que mais deixa o jogo correr apitou, em média, 22,9 faltas por jogo. O que mais marca bateu 32,6 faltas/jogo. Ou seja, uma diferença aproximada de 10 faltas.

Os nomes não foram revelados pela entidade.

Como é nas outras ligas?

  • Série A: média de 27,4 (de 24,2 a 31,1). Diferença de 6,9 faltas.
  • Ligue 1: média de 27,4 (de 22,2 a 30,1). Diferença de 7,9.
  • Premier League: Média de 23,6 (de 21,7 a 25,7). Diferença de 4.
  • Bundesliga: Média de 23,3 (de 21,7 a 25,7). Diferença de 5,7.
  • La Liga: Média de 27,8 (de 24,1 a 32,4). Diferença de 8,3.

A meta?

Com esse combo de ações, a CBF espera aumentar em curto prazo o tempo de bola rolando no Brasileirão.

O alvo é pular dos atuais 52min54s para algo na casa dos 57 minutos. A longo prazo, então, atingir os 60 minutos tratados pela Fifa como ideal.

Fonte: UOL Esporte