Limite de estrangeiros no Brasileiro é revisto; como irá funcionar
O limite de estrangeiros no Brasileirão foi revisto. Os clubes das Séries A e B, apesar da decisão não ter sido unânime, votaram por reduzir o teto, que hoje é de nove por time numa partida. Além disso, concordaram em criar uma cota mínima de atletas sub-23 inscritos no campeonato. As duas mudanças serão graduais.
O máximo de nove estrangeiros que cada clube pode relacionar numa partida irá cair para oito em 2027. A partir daí, a redução será de um por edição até chegar a cinco em 2030, objetivo final do movimento.
Com isso, o Brasileirão voltará a ter, daqui a quatro anos, o limite de estrangeiros que tinha até 2022 e que imperava desde 2014. Esta mudança não afeta a edição atual, que está em andamento, e não vale para as competições da Conmebol (Libertadores, Sul-Americana e Recopa Sul-Americana).
Como ficará o limite de estrangeiros no Brasileirão:
- 2026 (edição atual, sem mudanças): nove por clube numa partida
- 2027: oito por clube
- 2028: sete por clube
- 2029: seis por clube
- 2030: cinco por clube
Confira quantos estrangeiros cada clubes tem no seu elenco
- Botafogo: 12 (Christian Loor - Equador, Ferraresi - Venezuela, Monzón - Uruguai, Hernández - Colômbia, Mateo Ponte - Uruguai, Andrade - Angola, Medina - Argentina, Barrera - Colômbia, Montoro - Argentina, Ziyech - Marrocos, Villalba - Uruguai, Kadir - Panamá)
- Vasco: 12 (Cuesta - Colômbia, Saldivia - Uruguai, Puma Rodríguez - Uruguai, Sosa - Argentina, Lescano - Argentina, Rojas - Colômbia, Andrés Gómez - Colômbia, Nuno Moreira - Portugal, Colidio - Argentina, Spinelli - Argentina, Marino Hinestroza - lômbia, Loide Augusto - Angola);
- Athletico-PR: 11 (Terán - Colômbia, Aguirre - Colômbia, Esquivel - Argentina, Benavídez - Argentina, Portilla - Colômbia, García - Colômbia, Zapelli - Argentina, Mendoza - Colômbia, Vargas - Colômbia, Viveros - Colômbia, Rivaldo - Colômbia);
- Fluminense: 11 (Freytes - Argentina, Millán - Colômbia, Savarino - Venezuela, Terans - Uruguai, Acosta- Argentina, Soteldo - Venezuela, Matheus Reis - México, Canobbio - Uruguai, Serna - Colômbia, Castillo - Argentina, Cano - Argentina)
- Flamengo: 10 (Rossi - Argentina, Varela - Uruguai, Pulgar - Chile, De la Cruz - Uruguai, Saúl - Espanha, Arrascaeta - Uruguai, Carrascal - Colômbia, Plata - Equador, Valencia - Equador, Joaquin - Argentina);
- Grêmio: 10 (Balbuena - Paraguai , Noriega - Peru, Villasanti - Paraguai, Krovinovic - Croácia, Nardoni - Argentina, Amuzu - Gana, Jovane Cabral - Cabo Verde, Enamorado - Colômbia, Pavón - Argentina, Braithwaite - Dinamarca);
- Internacional: 10 (Rochet - Uruguai, Maripán - Chile, Félix Torres - Equador, Mercado - Argentina, Bernabei - Argentina, Aguirre - Argentina, Villagra - Argentina, Benjamin - Gana, Carbonero - Colombia, Sanabria - Paraguai);
- Atlético-MG: 9 (Preciado - Equador, Castaño - Colômbia, Pérez - Argentina, Alan Franco - Equador, Mamady Cissé - Guiné, Cuello - Argentina, Alan Minda - Equador, Cassiera - Colômbia, Borbas - Uruguai);
- Bahia: 9 (Herrera - Argentina, Mingo - Argentina, Moreno - Espanha, Gómez - Argentina, Acevedo - Uruguai, Sanabria - Argentina, Olivera - Uruguai, Araújo - Uruguai, Veliz - Argentina);
- Cruzeiro: 9 (Villalba - Argentina, Rojas - Argentina, Romero - Argentina, Peralta - Paraguai, Sinisterra - Colômbia, Arroyo - Equador, Lucho - Uruguai, Villareal - Colombia, Viña - Uruguai);
- Bragantino: 7 (Guzmán - Uruguai, Sant'anna - Uruguai, Hurtado - Equador, Sosa - Uruguai, Mosquera - Colômbia, Herrera - Argentina, Isidro Pitta - Paraguai);
- Corinthians: 7 (Angileri - Argentina, Milans - Uruguai, Carrillo - Peru, Garro - Argentina, Lingard - Inglaterra, Labyad - Marrocos, Depay - Holanda);
- Palmeiras: 7 (Barboza - Uruguai, Gómez - Paraguai, Piquerez - Uruguai, Emiliano Martínez - Uruguai, Jhon Arias - Colômbia, Sosa - Paraguai, Flaco - Argentina);
- Santos: 7 (Duarte - Paraguai, Escobar - Argentina, Oliva - Uruguai, Miguelito - Bolívia, Barreal - Argentina, Caballero - Paraguai, Rollheiser - Argentina);
- São Paulo: 7 (Duarte - Portugal, Arboleda - Equador, Enzo Diaz - Argentina, Buta - Angola, Cédric - Portugal, Bobadilla - Paraguai, Calleri - Argentina);
- Vitória: 6 (Brítez - Argentina, Ismael - Portugal, Pochettino - Argentina, Martínez - Argentina, Tarzia - Argentina, Laquintana - Uruguai);
- Chapecoense: 5 (Miguel Carvalho - Espanha, Borrero - Colômbia, Ramírez - Argentina, Rossi - Uruguai, Bolasie - RD Congo)
- Remo: 5 (Tchamba - Senegal, Tassano - Uruguai, Picco - Argentina, Catarozzi - Uruguai, Galeano - Paraguai)
- Coritiba: 4 (Gómez - Colombia, Josué - Portugal, Lavega - Uruguai, Ocampo - Uruguai)
- Mirassol: 0
Jogadores com dupla nacionalidade, como Jorginho (Brasil/Itália), do Flamengo, Maurício (Brasil/Paraguai), do Palmeiras, e Kannemann (Argentina/Brasil), do Grêmio, não ocupam vaga de estrangeiro.
Já a cota de atletas sub-23 envolve uma diretriz a ser adotada na lista de inscritos no Brasileirão, de 50 atletas por elenco. Hoje, não há nenhum direcionamento, havendo liberdade para os clubes inscreverem quem bem entenderem. A partir de 2027, haverá uma cota mínima para aqueles com até 23 anos.
No ano que vem, os clubes precisarão inscrever um mínimo de 20 jogadores sub-23 na lista de 50. Na edição seguinte, de 2028, esta cota subirá para 21. Em 2029, o mínimo será de 23. Por fim, em 2030, ele será de 25 atletas.
Como vai funcionar a cota mínima por clube para atletas sub-23 dentro da lista de 50 inscritos no Brasileirão:
- 2027: 20 sub-23 + 30 (sem restrições)
- 2028: 21 sub-23 + 29
- 2029: 23 sub-23 + 27
- 2030: 25 sub-23 + 25
Com esta mudança, a CBF e os clubes garantem que, daqui a quatro anos, o grupo de atletas com até 23 anos e o daqueles em idade mais avançada (ou seja: com a maturidade alcançada) seja o mesmo: de 25 para cada. No entanto, não há nenhuma obrigação de utilização mínima de cada um. Esta decisão continua sendo integralmente das comissões técnicas.
Ainda assim, o objetivo final das duas medidas é tornar o Brasileirão uma liga com espaço para jogadores mais jovens, principalmente os revelados. Ao cruzar os indicadores levantados pelo grupo de estudos, a CBF entendeu que o aumento do número de estrangeiros está contribuindo para a queda da minutagem dada a jogadores revelados no futebol brasileiro.
A edição 2026 do Brasileirão registra que os brasileiros sub-23 recebem 11,5% dos minutos totais dados aos jogadores do campeonato. Este índice vem caindo desde 2020, quando foi de 28,3%. Já o de estrangeiros acima de 23 ano segue movimento oposto. De 7,1% em 2021 chegou a 25% na edição atual.
Além disso, a CBF quer rejuvenescer a média de idade dos atletas inscritos, hoje em 28,5 anos. Ela subiu em mais de um ano desde 2021, quando era de 27,3, e, hoje, é maior do que a de todas as cinco principais ligas da Europa.
Os reforços contratados na última janela são parte crucial dessa ascensão. Colidio e Sosa rapidamente se firmaram como titulares, trazendo não apenas qualidade técnica, mas também ampliando as opções táticas para Emanuel. Lescano e Bruno Duarte, apesar de terem chegado depois, já demonstram potencial para integrar o time principal.