Angioni morre aos 80 anos; ex-diretor trabalhou no Vasco por 14 anos
Morreu Paulo Angioni, executivo de futebol com passagens por diferentes clubes brasileiros ao longo de quatro décadas dedicadas ao futebol, aos 80 anos. Por último, o dirigente trabalhava no Fluminense, seu time do coração. Angioni tratava um câncer no pâncreas desde o início de setembro, no Rio de Janeiro.
O Fluminense publicou a seguinte nota nesta manhã de sábado:
"O Fluminense FC comunica o falecimento do tricolor e diretor executivo de futebol, Paulo Sérgio Scudiere Angioni, aos 80 anos, na madrugada de hoje, no Rio de Janeiro. Em sua carreira, uma das mais longevas e bem-sucedidas do futebol brasileiro, foi pioneiro na função de diretor executivo no Brasil. Com passagem pela Seleção Brasileira e outros grandes clubes, ele reuniu inúmeras conquistas esportivas e se destacou, fundamentalmente, pela coleção de amigos que acumulou ao longo de sua trajetória. À frente do departamento de futebol do Fluminense nesta quarta passagem pelo clube, a partir de 2018, foi um dos principais responsáveis pela conquista dos títulos da Taça Rio de 2020, Taça Guanabara de 2022, 2023 e 2026, Campeonato Carioca de 2022 e 2023, Conmebol Libertadores e Recopa. Títulos que ajudaram o clube a retomar seu protagonismo e se destacar no cenário mundial recente. Sua contribuição à formação dos jovens será lembrada por muitos e suas lições permanecerão entre nós como exemplo de vida, compaixão e solidariedade. À sua família e amigos, nossos sentimentos mais elevados.
Angioni iniciou a carreira no início dos anos 1980, quando deixou o clube Municipal, na Tijuca, para trabalhar no Vasco, onde permaneceu por 14 anos. Ao longo da carreira, passou por alguns dos principais clubes do país, entre eles Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Bahia, Olaria e Fluminense. Também trabalhou na CBF e foi supervisor da Seleção Brasileira em 1989 e 1990.
A relação com o Fluminense era especialmente próxima. Tricolor desde a infância, Angioni teve a primeira oportunidade de trabalhar no clube em 2000 e retornou outras vezes até assumir novamente o cargo de executivo de futebol.
Em entrevista ao Abre Aspas do ge em 2023, contou que a convivência com os jogadores era o que mantinha sua motivação.
"O jogador é a razão da minha vida no futebol. Não só é a minha sobrevivência, mas é a minha contribuição ao jogador", afirmou.
Formado em psicologia e administração esportiva, Angioni foi um dos primeiros dirigentes a defender a presença de profissionais da área psicológica no futebol.
Ainda em 1989, quando trabalhava no Vasco, ajudou a levar psicólogos para dentro do departamento. Anos depois, dizia que a evolução da pressão sobre os jogadores exigia também a presença de psiquiatras nos clubes.
Angioni foi multicampeão nos clubes por onde passou, com títulos estaduais, nacionais e internacionais, e teve na inédita Libertadores de 2023 pelo Fluminense um dos momentos mais marcantes da carreira.
Fonte: ge