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Análise: Internacional 4 x 1 Vasco ficou 'barato'

O 4 a 1 sofrido pelo Vasco para o Internacional no Beira-Rio neste sábado ficou até barato pelo o que as equipes apresentaram no jogo da 16ª rodada do Brasileirão. A goleada com tons de vexame é apenas a tônica de sinais que o campo tentava dar para Renato Gaúcho há muito tempo.

Com diversos desfalques — Thiago Mendes, Adson, Cuiabano, Spinelli e Paulo Henrique —, o treinador optou por começar o jogo com Brenner e Tchê Tchê. É possível contar no dedo as boas partidas da dupla na temporada: o volante ajuda pouco com passes progressivos, enquanto o atacante parece ainda não ter achado a real função em campo. Mesmo assim, há a insistência vinda do técnico.

A quantidade de desfalques, claro, precisa ser destacada, mas não pode ser muleta para justificar um resultado negativo desta magnitude. Alguns atletas podem ter status de insubstituíveis no atual plantel, mas a responsabilidade vai de como o técnico abordou o duelo. O Vasco teve posicionamento defensivo convidativo para o estilo de jogo do Internacional, moldado para atacar contra-ataques.

De novo, o campo falou: a equipe até começou bem, com chance real de Gómez ainda aos três minutos, mas ficou por isso. Em noite coletivamente desastrosa, o time excedeu os erros. Vários jogadores avançavam de forma desentrosada — por vezes, até mesmo os dois laterais ao mesmo tempo — deixando o cenário perfeito para o Colorado sair em velocidade.

O primeiro gol nasce assim. Puma Rodríguez força cruzamento, o Inter recupera e Cuesta se adianta e é facilmente batido por Alerrandro e Bernabei. Depois disso, a equipe gaúcha fica com espaço livre para fazer o gol. Tudo piora quando, minutos depois, Léo Jardim dá a bola nos pés de Carbonero em lance completamente controlado, de saída de bola, e a desvantagem é dobrada.

+ Atuações do Vasco: Cuesta, Léo Jardim, Tchê Tchê e Brenner são os piores em noite de vexame; dê suas notas

A partida vira a cara do Internacional, que baixou as linhas e esperava espaços para se lançar com Bernabei e Carbonero pelos lados. No Vasco, essa estratégia apenas foi a prova que a escolha de Renato em insistir em nomes que há tempos não mostram serviço mostrou-se, novamente, equivocada.

Terceiro homem de meio-campo, Tchê Tchê pouco criou de forma efetiva. Na dúvida entre dar um passe progressivo, o camisa 3 quase sempre optava pela opção fácil. O Vasco não andava para frente. A bola rodava para lá, para cá... E o tempo passava a favor do Internacional. No ataque, Gómez tinha marcação dobrada e pouco fazia, enquanto Nuno se movimentava mas, em noite pouco inspirada, não achou um coelho da cartola.

A atuação na etapa final foi ainda pior. Mesmo com o que foi apresentado nos 45 minutos iniciais, a equipe seguiu se lançando com vários jogadores e deixando espaço para o Internacional correr com liberdade. Assim nasceram os lances do terceiro e quarto gol.

Há diferentes razões que os envolvidos podem tentar procurar para achar uma justificativa pela goleada sofrida: desatenção, erros individuais, intensidade (ou falta dela). O real deles é o campo, que é sempre soberano. Falta ao Vasco qualidade suficiente para dar o passo adiante que é buscado pela diretoria há meses.

Desde o começo da temporada, há cinco meses, os jogos e desempenho do time, ainda com o comando de Fernando Diniz, indicam que a defesa tem dificuldade na marcação física e direta, falta profundidade no meio-campo e o time possui lacunas na conclusão de gols. Até agora, muitos desses problemas não foram resolvidos. O campo segue falando.

Fonte: ge