Vasco e São Paulo terão desafios logísticos antes de se enfrentar

O mês de abril inicia o que promete ser um dos maiores desafios aos clubes brasileiros numa temporada iniciada em janeiro e atravessada pela Copa do Mundo: o início das fases de grupos das competições continentais. Na Copa Sul-Americana, a primeira equipe do país a entrar em campo será o Vasco, no Grupo G, que hoje enfrenta o Barracas Central-ARG no Florencio Sola, em Banfield, às 19h (de Brasília). Mais tarde, às 21h30, o São Paulo visita o Boston River-URU, pelo grupo C, no Centenario, em Montevidéu.

O elenco cruz-maltino chegou à Argentina na madrugada de ontem com muitas modificações. O técnico Renato Gaúcho não viajou e optou por relacionar uma equipe alternativa, composta por alguns jogadores do núcleo titular, mais reservas e jovens da base.

Dos “crias”, estão relacionados nomes como o goleiro Phillipe Gabriel, os laterais Breno Vereza e Avellar, o zagueiro Walace Falcão, os meias JP, Ramon Rique e Zucarello, bem como os atacantes João Vitor Fonseca (o Mutano), Andrey Fernandes e Juninho, além de outros jovens menos badalados. Fuzato, Cuesta, Lucas Freitas, Hugo Moura, Adson, Marino Hinestroza, Nuno Moreira e Spinelli são as opções mais experientes do auxiliar Marcelo Salles, que comandará a equipe.

A estratégia do Vasco em 2026 é oposta à adotada na temporada passada, quando o clube chegou a ter a competição como prioridade, mas viu os resultados desmoronarem tanto nela quanto no Campeonato Brasileiro. O cruz-maltino acabou eliminado nos playoffs, pelo Independiente del Valle-EQU.

O Barracas Central ocupa a nona colocação do Grupo B do Torneio Apertura e vem de derrota para o Sarmiento (2 a 1), no fim de uma sequência de duas vitórias, dois empates e uma derrota em cinco jogos. O destaque é o atacante Facundo Bruera, autor de 10 gols na temporada passada e três, até aqui, em 2026.

Se a Sul-Americana é vista como um caminho mais acessível à Libertadores — e a um título — do que a Copa do Brasil, a competição, que só classifica o primeiro colocado de cada grupo diretamente ao mata-mata, é um desafio de equilíbrio entre desgaste físico e competitividade.

Longas viagens

Enquanto o Vasco fez uma viagem mais curta à Argentina, Atlético-MG, Bragantino e Santos são os que somam mais milhas nesta rodada. Visitam, respectivamente, Deportivo Cuenca-EQU (a 4,5 mil km de distância, aproximadamente), Puerto Cabello-VEN (4,7 mil km) e Carabobo-VEN (4,6 mil km). Os três devem ter seus times principais em campo, com poucos desfalques e atletas poupados — caso de Neymar, no Peixe.

Comentarista dos canais ESPN, que transmitem a competição, Mário Marra vê o calendário como maior desafio, mas ressalta também as trocas de treinadores nos clubes:

— O principal desafio está no calendário. Muitos clubes brasileiros que disputarão a Sul-Americana passaram recentemente por troca de treinadores, o que reduz o tempo de adaptação, conhecimento do elenco e implementação de ideias. Com a sequência de jogos entre Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, somada às constantes viagens, há pouco espaço para treinamentos, o que dificulta não só a evolução coletiva, mas também a correção de problemas identificados nas partidas.

Ele cita o caso do Galo como um dos que aliam desafios logísticos a um novo trabalho de treinador (Eduardo Domínguez):

— O maior desafio é extrair o melhor desempenho de um elenco em meio a uma rotina desgastante, com deslocamentos longos e logística complexa, características marcantes das competições sul-americanas. No caso do Atlético-MG, por exemplo, apesar de uma viagem mais curta ao Uruguai (na 4ª rodada, diante do Juventud), o clube também enfrenta trajetos longos para Peru e Venezuela, em um momento em que o trabalho da comissão técnica ainda está em fase inicial.

Fonte: Extra Online

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