Vasco chegou a negociar com Léo Duarte na última janela

Léo Duarte deixou o Brasil em 2019 em venda de valores significativos para um zagueiro, custou quase R$ 50 milhões ao Milan. Em 2021, mudou-se para a Turquia, passou a defender o Basaksehir e virou peça-chave do clube. A seis meses do fim de contrato, divide-se entre continuar em um país que gosta ou apostar em um retorno ao Brasil, onde teve início promissor no Flamengo, mas saiu muito jovem, aos 23 anos.

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- Para falar a verdade, eu fico até meio dividido, porque minha família gosta muito do clube, da cidade, e o pessoal também, é recíproco. O presidente e o staff gostam muito de mim, eu gosto muito deles também. E, faltando esses seis meses de contrato, eu tenho vontade ainda de voltar para o Brasil, de poder performar, jogar bem. Eu acho que posso. Fico dividido, mas claro, se aparecer algum projeto bom do Brasil, eu vou pensar com carinho e deixar as portas abertas. Tem possibilidade de voltar, sim.

Na última janela, o Vasco negociou com Léo Duarte, mas a transferência não se concretizou. Jogar a Série A do Campeonato Brasileiro está nos planos, e o nível da competição seduz o atleta de 29 anos.

- É, na última janela teve (negociação por um retorno). Estive perto de voltar para o Brasil, sim, conversei com alguns clubes, mas não era para acontecer. Nessa janela eu acabei me machucando, eu fiquei dois meses fora, então foi uma resposta de Deus. Eu sabia que não era para acontecer, mas pensando, com carinho, eu tenho vontade. O Campeonato Brasileiro está muito forte, está muito atrativo para quem assiste, mas eu estou tranquilo, paciente. Tenho seis meses de contrato aqui ainda e vamos ver o que que pode aparecer.

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Desejo de visibilidade

Com quase seis anos de Basaksehir, Léo é titular absoluto. Disputou 186 jogos, apenas 12 como reserva. Apesar do respeito conquistado, o paulista de Mococa sente que uma mudança de ares seria importante para voltar a mirar títulos.

- Então eu fico dividido por isso, por essa competitividade mesmo, de poder brigar por título, de poder ganhar alguma coisa. Porque, por mais que o nosso time seja bom, tem o Galatasaray, tem o Fenerbahçe, que hoje investem muito dinheiro, pegam jogadores que poderiam estar jogando, na temporada passada estava no Manchester City, estava no Bayern de Munique. Então fica difícil competir lado a lado com os caras, né? A nossa posição geralmente é quarto, quinto lugar, tentando sempre beliscar uma vaga para a Conference League, mas isso é o que me faz querer, às vezes, poder voltar para o Brasil e querer disputar alguma coisa.

A falta de visibilidade na Turquia, ainda mais não estando em um dos três gigantes do futebol local - Fenerbahçe, Galatasaray e Besiktas -, também é uma questão.

- Estou aqui há cinco anos. Depois de dois anos ali, três anos, eu acho que a vida de todo atleta começa a cair. E eu sinto que o meu auge ninguém pôde ver. Porque, como é uma liga fechada, pouca gente assiste, é algo (visibilidade) mais local, então o meu futebol mesmo pouca gente pôde conhecer. Eu tenho essa vontade de poder provar alguma coisa ainda, poder disputar campeonato, fazer bons jogos, para poder um pouco ser visto também, mas está nas mãos de Deus.

Sem surpresa com ascensão do Flamengo

A última vez que Léo esteve na vitrine foi com a camisa do Flamengo, onde atuou profissionalmente de 2016 a 2019. Apesar de ter saído no "ano mágico" rubro-negro, o atleta é campeão da Libertadores e do Brasileiro por ter sido titular no início de ambas as campanhas.

- Faz quase sete anos que eu saí do Brasil, saí do Flamengo, joguei aquela primeira fase inteira da Libertadores, foi uma primeira fase difícil, a gente estava ali com o Abel Braga, mas sabia que o time uma hora ou outra ia engrenar. E tinham jogadores muito experientes, de alto nível. Diego, Diego Alves, que eram os líderes do grupo ali, e quando chegou o Jorge e o Jesus tudo se encaixou, então foi muito bom.

Depois de partir para a Europa, Léo viu de longe o Flamengo conquistar praticamente tudo e por vezes repetidas. Foram três Libertadores, três Brasileiros, duas Copas do Brasil, três Supercopas do Brasil, uma Recopa Sul-Americana e mais quatro Cariocas. Surpresa? Nenhuma.

- Não é uma surpresa. Quando eu estava lá, na gestão do Eduardo Bandeira, todo mundo sabia que quando conseguisse conquistar um título grande, e o Diego Ribas sempre falou isso, quando mudasse essa chave... Em 2017 fomos vice da Copa do Brasil, da Sul-Americana, e ele sempre falava: "Quando a gente conseguir ganhar um título grande, tudo vai mudar". E mudou, mudou por causa da seriedade do trabalho feito lá, começando com o Eduardo Bandeira de Melo, e depois com as contratações que vieram. Não é uma surpresa, não.

Além da negociação com o Vasco, Léo Duarte também recebeu sondagens de outros clubes brasileiros, como o Fluminense, que acabou de ver Thiago Silva após rescisão de contrato. O Monstro, aliás, é uma das referências do ex-flamenguista.

Leia a entrevista completa abaixo:

Adaptado à Turquia

- Eu estou bem feliz aqui, estou adaptado, a minha família gosta da Turquia, do povo, da cidade e do clube, que é relativamente novo, não tem tanta torcida, mas é uma pequena família. E foi muito bom, para mim está sendo muito bom. Esse mês que vem eu completo cinco anos aqui e é um aprendizado. Foram cinco anos bem legais, graças a Deus sempre jogando, jogando bem e com sequência. O nosso time é um time forte, que sempre disputa a competição europeia, a Conference League, a gente tenta chegar na Europa League, mas está sendo muito bom, muito bom.

Medo de arriscar no início da carreira, aprendizado e aperfeiçoamento de fundamentos na Europa

- Eu subi profissional do Flamengo depois da Copinha de 2016, então eu subi jovem ali, com 18, 19 anos. E, pelo fato de o Flamengo ser muito grande, eu aprendi muito com o Juan, com o pessoal. Mas quando eu jogava, por ser inexperiente ainda, tinha alguns erros pela inexperiência. Mas como o Flamengo é muito grande, o erro destaca, sabe? O erro tem esse peso maior no Flamengo. Mas eu ia aprendendo, então às vezes eu, em vez de arriscar alguma coisa que eu sabia que eu poderia fazer, por medo, receio de errar e saber da responsabilidade da camisa do Flamengo, acabava não fazendo.

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- Mas com o tempo a gente vai adquirindo experiência, então eu pude colocar agora mais em prática a saída de jogo. Com experiência, a gente vai se aperfeiçoando. A bola aérea também, que no começo era uma dificuldade que eu tinha, porque a gente jogou sempre com bola no chão. O Flamengo era um time que sempre jogava com bola no chão. Desde a base, a gente tentava implementar o jogo, então a bola aérea era um pouco de dificuldade. E aqui na Turquia já é diferente, é um jogo muito mais físico do que do Brasil, então nessas coisas naturalmente fui me aperfeiçoando.

Possibilidade de saída para países do exterior e se há conversas para renovar com o Basaksehir

- Estive perto de ir para a Rússia, na janela retrasada, para o México também, então sempre aparece alguma coisinha assim, mas aqui o clube é um pouco difícil na parte da negociação. Turco é um pouco mais complicado para negociar. É, eles me procuraram (para tentar renovar), mas ainda eu deixei aberta a possibilidade de voltar para o Brasil, de estar um pouco mais perto da família, dos pais da minha esposa, dos meus pais. Então ainda a gente não conversou a fundo, não.

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Referências para crescer e evoluir na Europa

- No começo da carreira, eu tive o privilégio de ver o Juan jogar de perto e treinar com ele. Ele já estava no final de carreira, mas a experiência e a qualidade técnica que ele tinha eram absurdas. Então eu pude pegar um pouco disso, mas a minha referência também sempre foi o Thiago Silva, que é um cara que eu sempre admirei de ver jogar. Então eu tentei seguir esses caminhos, sempre tentei colocar alguma coisa deles no meu futebol, aprender, ver o posicionamento e o jeito que sai com a bola. Então foram esses dois em que eu mais me espelhei.

A ENTREVISTA FOI PUBLICADA NO DIA 20/12/2025 PELO GE.

Fonte: ge

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