Análise: Como o Vasco fez o abismo econômico contra o Flamengo sumir

O Vasco mostrou ao Flamengo que o abismo econômico estabelecido entre as equipes não entra em campo nos últimos enfrentamentos pelo Campeonato Brasileiro. Assim como nas duas partidas do torneio no ano passado, a igualdade no placar obtida já nos acréscimos, neste domingo, no Maracanã, comprovou que a vontade pode se sobrepor à qualidade.

Depois de o Flamengo colocar uma frente confortável com gols de Pedro e Jorginho, e o técnico Leonardo Jardim, já com o time desfalcado, promover mudanças para segurar o resultado, o Vasco encontrou forças para reagir e empatar, em cruzamentos escorados por Robert Renan e depois Hugo Moura no último minuto.

Longe de iludir, o Vasco ao menos entregou o que o técnico Renato Gaúcho costuma cobrar de seus jogadores: entrega. O ponto conquistado muda pouco a situação no campeonato de meio de tabela, mas mantém a parte motivacional em alta depois de uma estratégia feliz que passou por preservar alguns titulares no meio de semana, pela Copa Sul-Americana e conseguir encarar o rival mais fresco.

A capacidade física de suportar a pressão e manter-se competitivo até o fim fez a diferença. O Vasco não se entregou e encurralou o adversário nos 20 minutos finais, quando ambos os times promoveram substituições. Aos 38 minutos, Robert Renan completou escanteio. Aos 51, Hugo Moura marcou de peixinho, antes do apito final que deu início a provocações da torcida vascaína na "casa” rubro-negra.

Alerta ligado e justiça no fim

Ao Flamengo, fica a lição e o alerta. Com o empate, o time estaciona em 27 pontos e mantém em seis a distância para o líder Palmeiras, com um jogo a menos. O gol de Pedro logo aos sete minutos da etapa inicial dava a sensação de que mesmo sem nomes como Arrascaeta, Paquetá, Carrascal e Pulgar o rubro-negro encontraria soluções para vencer sem maiores dificuldades. O início mais intenso e de marcação alta logo deu lugar a um jogo de transição, com a velocidade de Luiz Araújo, Samuel Lino e Plata, e o oportunismo de sempre de Pedro. O atacante, inclusive, foi observado pelo técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, do estádio. O treinador viu o camisa nove não só marcar um bonito gol como também distribuir chances aos companheiros e sofrer pênalti no segundo tempo, convertido por Jorginho aos 14 minutos. Foi o meia deixar o Flamengo, substituído, para o cenário mudar.

Sem o camisa 21, a equipe ficou ainda menos com a bola. Jardim começou as trocas tirando Luiz Araújo e Samuel Lino e lançando De La Cruz e Bruno Henrique, Depois, Jorginho deu lugar a Saúl. Renato Gaúcho respondeu colocando o time para frente. Andres Gomes, que havia começado no banco por questões físicas, foi alçado na vaga de Paulo Henrique, com Puma Rodrigues recuando. O lado direito que já era forte e conseguia bons cruzamentos agora ganhava em ofensividade. Em seguida, o Vasco aumentou a presença de área com Spinelli na vaga de Bremer, que havia perdido alguns chances no primeiro tempo, e Nuno foi a campo no lugar de Rojas, para manter o poder de criação. Adson entrou para reforçar esse quesito. E o time ficou mais leve, forte e rápido quando o Flamengo baixou a guarda e não conseguiu transformar as chances de contra-ataque para matar o jogo.

Viu-se cena rara de uma linha de defesa recuada e acuada. Com Everton Araújo sobrecarregado na marcação, De La Cruz e Saúl não somaram defensiva nem ofensivamente. E os corredores que já estavam sendo explorados pelo Vasco viraram área livre depois de Jardim tirar Pedro e colocar Wallace Yan. Sem pressão na bola, vieram mais cruzamentos. Do lado direito, Plata também caiu de produção e sentiu desgaste no fim. Em escanteio, Léo Ortiz tentou escorar Robert Renan, mas o zagueiro adversário subiu sozinho e diminuiu aos 38 minutos.

A torcida do Vasco, mesmo em menor número, notou que era tudo ou nada. O time também. Manteve o abafa e seguiu no campo do Flamengo, criando situações pelas laterais. Mesmo com Varela e Alex Sandro na defesa, o primeiro combate dos pontas ficou frouxo. Principalmente de Bruno Henrique e Wallace Yan do lado esquerdo da defesa. Foi por ali que o zagueiro Cuesta avançou e encontrou uma brecha para cruzar de antes da linha da grande área para Hugo Moura, de novo entre os zagueiros, abaixar para desviar de cabeça, aos 51 minutos. O último ato de um Vasco corajoso diante de um Flamengo entregue e já sem tempo para voltar ao jogo novamente, o que deu justiça ao placar no fim.

Fonte: Agência O Globo

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