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Vasco quer ter participação futura na venda de jogadores

O meia-atacante Philippe Coutinho, que treina ocasionalmente com os profissionais do Vasco, vive a expectativa de receber uma oportunidade do técnico Renato Gaúcho.

Considerado a maior promessa do Gigante da Colina, o jogador, de 16 anos (12/06/1992), defenderá a Internazionale de Milão, da Itália, quando completar 18 anos.

CARREIRA
"Tenho 16 anos. Entrei no Vasco no final de 99, no salão. Quando eu estava no mirim, subi para o campo e estou lá até hoje. Eu brincava na vila onde moro. A avó de um amigo meu conversou com o meu pai e falou para me levar para alguma escolinha. Tinha um clube lá perto de casa. Fiquei treinando uns três meses e fui para a Mangueira. Me federei lá e treinei durantes seis meses. Depois fiz um teste no Vasco, no final de 99, e continuei lá", disse no programa "Só dá Vasco", veiculado na Rádio Bandeirantes, na noite da última terça-feira (23/09).

PREPARADO PARA ESTREAR NOS PROFISSIONAIS
"Acho que o Vasco tem grandes jogadores, mas estou trabalhando para, se Deus quiser, pode jogar pelo profissional do Vasco. Se ele [Renato Gaúcho] achar que devo jogar, estou preparado. Não tenho medo de jogar. Vou com confiança para poder ajudar o Vasco".

POSIÇÃO PREFERIDA
"Eu gosto de jogar de meia-armador. É a posição que venho jogando no juvenil. É uma posição que sempre gostei. Se eu puder jogar pelo profissional, pretendo jogar nessa posição. Prefiro mais pela esquerda, porque se cortar para o meio dá para chutar de direita, que é a perna boa. Sou destro".

PASSAR PELOS JUNIORES
"O sonho de todo jogador é jogar no profissional. É o meu também. Mas o pessoal fala e também acho que é importante passar pelos juniores e ganhar experiência. Acho que uma passagem lá ia ser importante para mim".

TRANSFERÊNCIA PARA A INTERNAZIONALE
"Eu ia fazer exame, mas acabei que não fiz [na viagem à Itália]. Ainda não caiu [a ficha]. Procuro não pensar na Inter. Me preocupo aqui com o Vasco, em poder jogar no profissional e ajudar o clube. Quando eu tiver que ir para lá, aí procuro me preocupar em jogar lá e bem".

O centroavante Willen Mota Inácio, o Charuto, de também 16 anos (10/01/1992), tem contrato com o Vasco de 01/02/2008 a 01/02/2011.

"Eu jogava futebol de salão em um time de colégio, o Santa Mônica. Fomos disputar um campeonato. Através desse campeonato, jogamos contra o Vasco da Gama. O treinador do Vasco da Gama arrumou para eu fazer um teste lá. Fui para o campo, fiz o teste e passei. Em 2003 isso e já fiquei federado. No pré-mirim em 2003 fui campeão já".

O vice-presidente jurídico Luiz Américo de Paula Chaves fala sobre a Lei Pelé.

"Tem um projeto de lei no Congresso para modificar a Lei Pelé, só que não dá mais para apresentar emendas nesse projeto. Havia uma discussão entre os clubes. Apresentaria-se um substitutivo para tentar fazer essa modificação, melhora na lei, que sempre dá para melhorar, é claro. Mas a Lei Pelé, antes de tudo, não é a única vilã desse processo todo que a gente tem de perda de jogadores. Isso é falta de planejamento, o pior dos vilões. O caso mesmo do Philippe. O Philippe assinou contrato no Vasco. Em junho mesmo [quando completou 16 anos] o Philippe assinou com o Inter de Milão. Foi a falta de planejamento que levou isso a acontecer. Não havia a necessidade. Poderia maturar mais um pouco o Philippe. Mas a gente sabe como era antigamente e como a situação do Vasco complicou-se por conta de problemas financeiros. Assim como outros clubes também estão de mal a pior com problemas financeiros. Mas você tem bons exemplos, que por exemplo conseguem conviver bem com essa Lei Pelé. É o caso do São Paulo. O São Paulo foi o primeiro a se adaptar à Lei Pelé, muito antes de ela entrar em vigor. Com planejamento, você consegue resolver muitos dos problemas que rondam os clubes. Mas planejamento que eu digo, em curto, médio e longo prazo. O efeito desse planejamento só vai aparecer no longo prazo".

"O problema da Lei Pelé é abaixo dos 15 anos. Não se pode ter empresário e se tem empresário. \"Meu empresário. Opa, ato falho. Não é empresário, é meu amigo, cuida dos meus interesses\". Usa um outro nome qualquer. Não se pode ter empresário, senão você está... Ele é menor, incapaz e não pode trabalhar antes dos 16 anos. Não pode ter contrato profissional antes dos 16 anos. Isso que está acontecendo, essa depredação do patrimônio dos clubes antes dos 16 anos, realmente uma correção tem que ser feita com a Lei Pelé. Mas o caso concreto, que a gente está abordando, os 16 anos já tinham passado. Isso foi fechado depois dos 16 anos. Mas com planejamento você consegue resolver".

O advogado comenta a participação futura na venda de jogadores.

"Isso faz parte do planejamento mais uma vez. O grande pulo dos valores de direitos dos jogadores não é América do Sul -> Europa. É Europa -> Europa. Ali é que o jogador está valorizado e tem a maior parte da sua vida comercial, porque as pessoas estão saindo cada vez mais cedo do Brasil. O grande pulo do gato é você não vender 100% do jogador. Você vende 30, 20, 50%, faz uma parceria com um clube europeu. Recebe menos no primeiro momento? Sim. Mas a longo prazo você vai conseguir ter o retorno do investimento que você fez na sua base e nos seus jogadores, muito maior. Agora, é raríssimo um clube que faz isso".

O vice-presidente Luso Soares da Costa concorda.

"Estou inteiramente de acordo com o Luiz Américo. Já há algo que estamos elaborando dentro do Vasco da Gama. Vocês vão até ter um conhecimento maior dentro de pouco campo, de todo o planejamento. Mas isso com certeza o Vasco tem que participar, porque afinal foi ele quem preparou. Ele e outros clubes. Mas não tenha dúvida de que tem que ter essa participação futura".

O dirigente anunciou que William, meia do Gigante da Colina nos anos 80 e 90, que conquistou o Campeonato Brasileiro de 1989 e o inédito tricampeonato estadual (1992, 1993 e 1994), passou a trabalhar no Vasco, a exemplo do ex-lateral-esquerdo Cássio. O ex-zagueiro Gaúcho, vice-campeão brasileiro em 1979, foi confirmado como técnico dos juniores, substituindo Toninho Barroso.

"Você pode ter certeza que esse é um pensamento do Roberto [Dinamite], com grande força, em dar aproveitamento a ex-atletas do Vasco. Evidentemente que só ex-atleta não basta. É preciso que tenha competência. Vocês vão ver que William e Cássio têm competência. Eles estão se integrando também nisso. Eles deram demonstração de competência um pouco fora do Vasco, mas depois de ter passado toda a sua formação lá. Eles voltaram com alegria e os recebemos com alegria. O caminho é esse. Um dia vamos ver Felipe de volta. O Willen não vai sair. Acho que a formação é essa. É a nossa casa, nossos atletas. Respeito e muita consideração por eles"

Fonte: Vasco Expresso