Futebol

Vasco e Botafogo se enfrentam num contraste de fases da gestão

Rivais com boa relação fora das quatro linhas, Vasco e Botafogo se enfrentam hoje, às 18h, em São Januário, pela última rodada do Estadual, num momento de inversão de papéis. Se nos últimos anos o alvinegro se via em vantagem em função da gestão estável financeiramente de John Textor, o passar do tempo trouxe a queda na popularidade do projeto conduzido pelo americano. Do outro lado, cresce a do cruz-maltino, com a gerência de Pedrinho e as negociações arrojadas do diretor de futebol, Admar Lopes.

Exemplo claro disso é a contratação do lateral-esquerdo Cuiabano pelo Vasco por empréstimo, anunciada oficialmente ontem. O defensor foi uma espécie de 12º jogador do Botafogo nos últimos dois anos e, por mais que não tenha se firmado como titular, cultivou o carinho de grande parte dos torcedores com as conquistas da Libertadores e do Brasileiro de 2025.

Vendido ao Nottingham Forest-ING no meio do ano passado, muito por conta da relação de Textor com Evangelos Marinakis, dono do clube inglês — o jogador tinha o desejo de ser negociado com o Brighton, também da Premier League —, o atleta não conseguiu se firmar e viu a oportunidade de ser emprestado pela segunda janela consecutiva, como aconteceu na última com o alvinegro.

Nos bastidores, pessoas próximas afirmam que, no Brasil, o atleta preferia jogar no Botafogo. A diretoria de futebol do alvinegro também tinha interesse no negócio e manteve contatos com o atleta. No entanto, a impossibilidade do clube de registrar novos jogadores por conta do transfer ban — que só foi caiu na última sexta-feira, após mais de um mês de punição — impediu o retorno do lateral. O Vasco, então, viu a chance de dar um “chapéu” surgir e conseguiu fechar a contratação.

— Para mim, não chegou nada oficial (de outros clubes). O que chegou foi do Vasco — explicou Cuiabano no desembarque no Rio, esta semana: — Estou feliz de estar aqui. Chego com meus objetivos. Todo jogador sonha em chegar à seleção. Agora é trabalhar no dia a dia para ver se consigo chegar.

Atuação no mercado

Além de Cuiabano, o Vasco já acertou outras cinco contratações para a temporada: o zagueiro Saldivia, o meia Rojas e os atacantes Hinestroza e Brenner já até estrearam. O atacante Cláudio Spinelli, ex-Independiente Del Valle, chegou ontem ao Rio, mas ainda não tem data para entrar em campo pela primeira vez.

Agressivo no mercado graças ao empréstimo de R$ 80 milhões recebidos da Crefisa no fim do ano passado e pela venda de Rayan, que rendeu 25 milhões de euros (R$ 154,2 milhões) à vista aos cofres cruz-maltinos, o clube agora tenta se encontrar dentro de campo sob o comando de Fernando Diniz. Hoje, o técnico deve levar a campo o que tem de melhor a sua disposição. São apenas duas vitórias em sete partidas na temporada.

O Botafogo, por sua vez, já fechou as contratações do zagueiro Ythallo, do volante Wallace Davi e do atacante Lucas Villalba — além dos defensores Riquelme e Jhoan Hernández, que devem ser utilizados no sub-20 neste primeiro momento. Mas, por conta do transfer ban, nenhum deles pôde ser utilizado pelo técnico Martín Anselmi, que tem agradado no início de sua trajetória no alvinegro, mas sofreu com o elenco curto.

Na sexta-feira, o Botafogo pagou US$ 10 milhões (cerca R$ 52 milhões) ao Atlanta United e foi retirado da lista de transfer ban pela Fifa. Nos próximos meses, o clube precisará pagar aos americanos quatro parcelas de cerca de US$ 5 milhões (R$ 26 milhões).

Apesar disso, a crise administrativa continua a todo vapor no alvinegro. O pedido de demissão do CEO Thairo Arruda na última sexta-feira, após racha e uma série de desavenças com Textor, é mais uma evidência disso. O dirigente não concordava, por exemplo, com o empréstimo de US$ 25 milhões desejado pelo empresário americano e que foi aprovado no Conselho da SAF na última quinta-feira.

Para a partida de logo mais, Anselmi pretende utilizar a maior quantidade de jogadores sub-20 possível, já que o Botafogo está classificado para as quartas de final do Carioca. O ponto de atenção no alvinegro é a regra da Ferj que exige que os times utilizem pelo menos sete titulares na última rodada, sob risco de punição na distribuição da renda de direitos de transmissão.

Fonte: extra.globo