Vasco abre o Brasileirão num ciclo de frustrações parecido
Cento e sete. Esse foi o número de finalizações, somadas, do Vasco nos últimos cinco jogos na temporada. Apenas uma dessas partida terminou com vitória cruz-maltina, a única em que o time de Fernando Diniz marcou mais de uma vez: o clássico contra um time de reservas do Botafogo, no domingo, pelo Campeonato Carioca. A disparidade cada vez mais frequente entre desempenho e resultado já gera insegurança no clube, que vive início de Brasileirão na zona de rebaixamento, e joga pressão sobre o trabalho do treinador.
Na quinta-feira, após a derrota por 1 a 0 para o Bahia, em São Januário, a segunda em três rodadas na competição nacional, a torcida voltou a xingar o técnico e vaiar os jogadores. A partida foi marcada por um gol dos visitantes numa jogada ensaiada, seguida por bons momentos do Vasco entre o fim do primeiro tempo e o início do segundo, de muita posse de bola e volume de jogo, mas pouca inspiração no último passe e na finalização.
Para se ter uma ideia, o Vasco terminou com 26 finalizações contra apenas 8 do Bahia, 44 tentativas de cruzamento (13 certos) e mais de 44 ações com a bola dentro da área do tricolor baiano, que teve apenas sete no campo adversário. Mas as finalizações no gol foram apenas quatro. Números que traduzem um time impositivo, como dita o estilo do treinador, mas que parece se esgotar em ideias à medida que as partidas se afunilam em dificuldade e em desgaste físico.
Ainda que a temporada seja longa, o ambiente ruim que se viu em São Januário na última quarta só mudará se a equipe conseguir reverter a balança dessa relação. Exemplos traumáticos não faltam: na última edição do Brasileiro, por exemplo, o Internacional foi destaque em vários fundamentos ofensivos, mas brigou contra o rebaixamento. Em números do Sofascore, foi a equipe que mais desarmou no torneio, a sétima que mais finalizou, a oitava que mais acertou cruzamentos e a quinta que mais criava chances (e a sétima que mais as perdia). Terminou na 16ª colocação, a um ponto do Z4 e a duas posições do próprio Vasco de Diniz, que o goleou em São Januário.
Novas opções
O Vasco abre o Brasileirão num ciclo de frustrações parecido. É a segunda equipe que mais cria grandes chances (10) e que mais as perde (8). Também tem a maior posse de bola média (60,7%), o maior número de cruzamentos certos (11,3 por jogo), a segunda maior média de finalizações totais e certas (23 e 7,3 por jogo) e é terceiro entre as equipes com mais dribles certos (10,7) por jogo.
— Com o volume que temos criado, é questão de tempo para a bola começar a entrar. Não é normal a gente não converter em gol. — projetou Diniz na entrevista coletiva após a partida.
Desta vez, há opções para tentar mudar esse panorama e experimentar novas ideias. O clube tem dois centroavantes de características diferentes (Brenner e Spinelli), nomes como Thiago Mendes e Andrés Gómez vivendo grande fase e reservas promissores como Marino, Rojas e Cuiabano — que ainda não fez sua estreia — ainda se encaixando na equipe.
Fonte: Extra- SuperVasco