Futebol

Um ataque cardíaco que atormenta Renato

Cruzamento da esquerda, Faioli cabeceia e... bola fora. Jean recebe na entrada da área e chuta longe. Morais lança Fábio Júnior, que isola a bola. A dura realidade do treinamento de finalização do ataque vascaíno está diretamente ligada à situação do clube nesta seqüência de seis jogos sem vitórias(quatro pelo Brasileiro e duas pela Sul-Americana).

Dos 32 gols feitos pelo clube no Brasileiro apenas seis tiveram a participação do ataque. Em 24 jogos, apenas em quatro, os homens de frente fizeram gols. Imagine então se o setor funcionasse! Afinal, mesmo com este retrospecto, o Vasco é o melhor time do Rio no Brasileiro, com 36 pontos, na quinta posição da tabela e na área de classificação para a Libertadores.

O próprio Renato Gaúcho, que adotou um discurso de não mais reclamar de seus jogadores, jogo após jogo, deixa transparecer sua insatisfação com o setor. A frase \"criamos muito, mas não tivemos sorte e por isso não vencemos\", dita e repetida pelo treinador no final das partidas, pode ser considerada um eufemismo e traduzida por: \"o ataque não faz os gols, assim fica difícil vencer\".

Realidade bem diferente do ano passado, quando o clube teve a dupla de área mais eficiente do campeonato. Romário e Alex Dias fizeram juntos 41 gols - 22 do Baixinho e 19 de Alex Dias. Desta vez, a história é outra. O atacante artilheiro é Faioli, com a exígua marca de três gols. Seu companheiro de ataque, Jean, torna o problema mais catastrófico ao afirmar: \"Não sou bom finalizador, sou jogador de criar as jogadas\".

Renato, no entanto, vê uma luz no fim do túnel. A chegada de Leandro Amaral traz esperanças de um novo amanhã. Leandro, que teve uma ascensão metéorica na carreira indo da Portuguesa-SP para a Fiorentina, tenta reencontrar o bom futebol e os gols. E confiança não lhe falta. \"Estou preparado para ser artilheiro aqui\", disse em sua apresentação.

A frustração de comandar um ataque tão ineficaz deve ser muito angustiante para quem foi consagrado justamente como homem de frente. Agora, como treinador, e participando apenas fora das quatro linhas, a situação parece estar mais difícil de ser resolvida.

Fonte: Jornal dos Sports