Pedro Emanuel fala sobre Colidio: 'Sei que sentiu uma dor aguda, não...'
Após o empate contra o Remo, Pedro Emanuel destacou a falta de paciência do Vasco em campo. O treinador comentou sobre a atuação 'cinzentinha' da equipe, ressaltando a pouca efetividade ofensiva demonstrada.
Emanuel também abordou a situação física de Colidio, que pode ter sofrido uma lesão durante a partida. A expectativa é que exames mais detalhados sejam realizados para avaliar a gravidade do problema.
O técnico português comentou ainda se o jogo contra o Boca Juniors interferiu na concentração do elenco e influenciou nas decisões de escalação e substituições feitas no confronto contra o Remo.
Sobre as ausências de Marino e Adson, Emanuel justificou suas escolhas e falou sobre a possibilidade de Andrey Fernandes, do sub-20, ganhar espaço no time principal. Além disso, explicou por que Sosa começou no banco de reservas.
O treinador mencionou também as conversas internas sobre qual competição deve ser priorizada pelo clube e reforçou a necessidade de uma postura diferente para enfrentar os argentinos.
— Faltou a paciência, mas paciência não quer dizer lentidão. Abusamos do que foi a nossa circulação de bola lenta. Permitiu que o Remo viesse aqui com uma estrutura nova para nós, deixou o José Welison na linha defensiva, jogou assim com mais quatro à procura do nosso erro, o que é perfeitamente normal e natural. Em muito momento, precisávamos ser mais diligentes quando encontrássemos um homem livre, termos mais capacidade e fluidez no nosso jogo. Poderia arranjar aqui as desculpas de que o gramado também não estava perfeito, e que aquela recessão num bloco tão fechado do Remo tornava as coisas mais difíceis. — disse o técnico do Vasco, acrescentando:
— Fato é que nós acabamos, mesmo não fazendo uma exibição brilhante, tendo aqui e ali atuações que fui relembrando no primeiro e no segundo tempos. Não foram muitas, mas foram claramente aquelas que nos permitiram passar à frente do placar. Isso, naturalmente, desbloquearia o jogo. Não conseguimos fazer isso. Exibição "cinzentinha", acho que temos capacidade de fazer mais. Fizemos algumas alterações que eu esperava que nos dessem mais frescor, acabaram não influenciando muito. No fim, não conquistamos três pontos, mas somamos mais um em nossa caminhada. Não sofremos gols e, mesmo não sendo satisfatório, isso também acaba nos ajudando a somar mais um ponto na nossa classificação.
O empate com o Remo mantém o Vasco com o Z-4 do Brasileiro no retrovisor. Neste momento, a distância para o 17º colocado é de quatro pontos, mas a "gordura" pode diminuir para um ponto ao fim da rodada 30 (veja a tabela completa aqui).
O treinador do Vasco afirmou ainda não ter mais informações sobre a situação de Colidio, que teve que ser substituído no início do segundo tempo. O camisa 9 - que será baixa contra o Boca Juniors na Sul-Americana por não ter sido inscrito a tempo - deu lugar a Nuno Moreira após finalizar e cair no gramado com dores na coxa esquerda.
— Não. Sei que sentiu uma dor aguda, não podemos dizer nada neste momento. É o único que não estará disponível para terça-feira e por isso teremos tempo para reavaliar e fazer o que for necessário para que se recupere bem para o próximo fim de semana. Acredito que não seja nada extraordinário, mas vamos aguardar o que vai ser o relatório médico para saber o que ele tem. É normal depois de um reinício, o segundo e terceiro jogos depois de um tempo de parada são os que tem um pouco mais de impacto. Por isso tentamos gerir hoje o nível de tempo para que as coisas viessem ao nosso encontro, mas a exigência do jogo nos obrigou a buscar a vitória até o final. A última substituição foi para nos dar um pouco de consistência. O Jair já tinha amarelo, o Saldívia também. Mais por necessidade. Quando não se consegue ganhar três pontos, levamos um ponto. Estamos desiludidos, mas se me perguntassem meses atrás se nessa sequência de quatro jogos fizéssemos 10 pontos, eu apertava logo a mão e fechava o acordo. Hoje estamos desiludidos, mas amanha é outro dia. Vamos manter o foco e continuar o trabalho que estamos fazendo.
O Vasco volta a campo na terça-feira, às 21h30 (horário de Brasília), para enfrentar o Boca Juniors em La Bombonera, pela ida da semifinal da Sul-Americana. No Brasileirão, o próximo compromisso srá contra o São Paulo, também fora de casa, no próximo sábado.
Outros tópicos da entrevista de Pedro Emanuel:
Quanto a falta de efetividade ofensiva preocupa?
— Mesmo jogando com um bloco baixo que naturalmente não vamos ter jogando na Bomboneira com o Boca Juniors, que é uma equipe que gosta e quer mandar no jogo, vamos ter os nossos passes e nossos momentos. Vai ser um jogo completamente diferente do que foi hoje. Houve também grande necessidade do Remo e mérito, porque colocou um bloco claramente baixo e apostou nas transições. Acabamos por ser eficientes neste momento, arriscamos o que tinha de arriscar. Tivemos mais posse de bola e isso não me diz muito, só a capacidade que tivemos de criar. Tivemos cinco, seis oportunidades que poderiam ter nos dado o gol. Se tivesse, o jogo seria muito diferente. Temos de lidar com isso. Se bem me lembro, na primeira e segunda parte tivemos cinco, seis oportunidades. Até mesmo agora no final, mesmo não tendo muitas oportunidades na segunda metade, lembro do Andrés no final, do Puma... hoje foi um jogo para nós de muita transpiração e pouca inspiração. Tivemos muito pouco daquilo que é a alegria do nosso jogo e quando não impomos isso, não atingimos o nível de excelência. Para ganhar jogos no Brasileirão, tem que atingir o nível de excelência. Hoje claramente é culpa de todos. Os únicos que verdadeiramente fizeram a sua parte foi o setor defensivo, não sofremos gols, mas em todo o resto podemos fazer muito mais.
Jogo contra o Boca Juniors pode ter atrapalhado foco da equipe?
— Sei que, se vocês forem procurar os números das sequências de jogos... Atingimos três vitórias (consecutivas no Brasileiro) e queríamos a quarta. Acredito que todos os jogadores pensassem nisso. Mas eu também fui jogador, joguei Champions League. Sei que normalmente antes dos jogos da Champions, por mais que os jogadores digam (que não), o subconsciente acaba os tirando um pouco do foco. Mesmo que estejam comprometidos fisicamente, mentalmente por vezes isso não acontece. Temos que combater isso? Temos. Temos que fazer melhor? Temos. O meu grande lamento é não termos oferecido à nossa torcida os três pontos que ela merecia. Eles têm estado ao nosso lado e hoje, se houve alguém que venceu nesse jogo, foi a nossa torcida, que não nos abandonou. Tentou nos injetar sempre a energia que estávamos precisando, eu senti isso e os jogadores também. Dou os parabéns, a parte deles foi mais do que feita. Se me perguntarem "você vai jogar muito mal, mas vai ganhar", eu aceito também. Hoje não aconteceu. Minha grande (decepção) é não termos oferecido à torcida esses três pontos e também ao grupo, que está em desenvolvimento e em crescimento. Por isso, nem era tudo mau há três meses, nem hoje temos que fazer coisas de excelência. Temos noção de que não vamos ganhar todos os jogos até o fim. O que nós temos que ter a noção é que temos que somar pontos em quase todos os jogos até o final, pronto. É isso que vamos trabalhar. Hoje não conseguimos três, levamos um, e no fim veremos se vai ser mais ou menos satisfatório. Hoje foi um dia em que conseguimos menos, e tenho que assumir. Não é nem pode ser um drama, temos feito resultados fantásticos, mas tem que ser um alerta para nós. Os jogadores estão bastante exigentes no que fazem no dia a dia, a forma como trabalham. Afeta um pouco o nosso espírito, como é normal, pois jogamos em casa e queríamos muito ganhar, mas não demonstramos o suficiente para conseguir. Há que se analisar e seguir em frente.
O quanto o jogo do Boca influenciou na escalação e mexidas:
— Vou ser sincero. Aquilo que nós escalamos para o time titular de hoje é muito mais no sentido de nos permitir gerir a seguir. Não era o jogo de hoje, o que me preocupava era ganhar. Porque ganhar criava uma vantagem para a linha do rebaixamento e naturalmente nos daria possibilidades de podermos nos concentrar nesses dois jogos com o Boca. Porque é um momento histórico para todos nós e é um prazer jogar esses jogos. Qualquer um dos jogadores vai querer fazer. Sendo assim e não vencendo hoje, voltamos ao plano A que é jogo a jogo. Vamos escolher os mais frescos. Hoje senti que a equipe não estava tão fresca como era exigido para esse jogo no movimento e na capacidade de sermos agressivos, atacar o gol. Pode ser o subconsciente de alguns jogadores, não vou dizer o contrário, mas de se poupar um pouquinho porque vamos ter um jogo. Não podemos controlar tudo. Gostaríamos, mas o futebol não é assim. Depende de 11 cabeças que estão juntas ao mesmo tempo e tentar que pensem a mesma coisa. Hoje não foi assim em alguns momentos, nem por isso deixamos de somar um ponto. Para nós acaba sendo relevante. É uma boa média de pontos.
Ansiedade de jogo contra o Boca afetou a pouca inspiração contra o Remo?— Acho que a ansiedade foi hoje, que criamos a nós mesmos. É normal e natural, não há nada que a gente consiga fazer para impedir. Há o discurso, há a forma de trabalhar, há a preparação do jogo, mas depois tem o sentimento que não conseguimos controlar. Essa ansiedade que nós achávamos que seria mais simples quando entrássemos, e pelo que temos feito, marcaríamos mais cedo. O gol não surgiu, uma ou outra oportunidades poderíamos ter feito e não fizemos. Isso vai criando alguma ansiedade nos jogadores, depois começamos a nos precipitar no que são as tomadas de decisão. Foi um pouco mais por aí. Sabemos que é um jogo especial o que vem aí. Agora, me desiludiu. Todos que estavam no estádio pensavam que teríamos um espetáculo mais efusivo da nossa parte, mas não conseguimos. Não é um drama, é uma constatação do que foi e uma lição para nós no futuro. Espero que possamos aprender, refletir e nos prepararmos para terça-feira que é um jogo diferente, competição diferente. Acredito muito que podemos ser competitivos.
Marino e Adson poderiam entrar?
— São jogadores com características diferentes, mas não deixam de ser associativos, mas em um bloco que seja médio. Em um bloco um pouco mais fechado, o Adson então provavelmente, o Marino com um pouco mais de espaço é capaz de fazer um pouco mais de diferença. A ideia foi tentar manter com o Andrés e um atacante, primeiro o DVD e depois o Spinelli, fixar a linha defensiva para que entrelinhas conseguíssemos infiltrar. Não diretamente, mas procurar inspiração. Aconteceu uma ou outra vez no primeiro tempo, mas não tantas vezes como pretendíamos. Não quisemos desvirtuar a forma como preparamos o jogo. Se o jogo tivesse sido outro, os dois estavam perfeitamente dentro daquilo que eram as opções e o plano. Mas o jogo foi de outra forma e tomamos decisões diferentes. Nos últimos minutos, a entrada do Sosa foi para nos dar novamente consistência e não correr nenhum risco porque já tínhamos amarelados ali atrás, não tinha necessidade. E também vi que hoje poderíamos ter mais meia hora, 45 minutos e não teríamos capacidade de fazer gol. Por isso mesmo, mais vale um pássaro na mão do que doía voando. Foi isso que decidimos.
Há espaço para Andrey Fernandes, do sub-20, ser utilizado no grupo profissional?
— Sim, nós temos a nossa base como uma base de sustentação para a equipe principal. Como já disse várias vezes, eu não sou adepto de queimar etapas. Temos um ou outro jogador que já vem fazendo (a transição para o time profissional), o Ramon Rique é um bom exemplo disso. Vai precisar do seu espaço para crescer. Hoje, se calhar, o jogo não lhe proporcionou aquilo em que ele é bom: um médio transportador, que perfura. A ideia de tê-lo no jogo era exatamente essa, termos um pouco mais de capacidade de andar, mais box to box, que é aquilo que o Alan (Lescano) tem, mas já estava perdendo o frescor. A ideia era ele ajudar os homens da frente na nossa chegada à área, mas isso também não funcionou muito bem. Respondendo à sua pergunta, claro que (Andrey Fernandes) vai ter o seu espaço, mas neste momento está fazendo a diferença no sub-20, está em competição. Se calhar, teria menos espaço para poder aparecer na equipe principal. Por isso, continua em competição. A qualquer momento, vamos chamá-lo, como outros que já estiveram aqui. Neste momento, não acho que seja a fase ideal para ele se encaixar, até porque estamos com um elenco muito extenso. Até por isso, temos que fazer esses testes.
Sosa:
— Não foi uma questão de poupar porque o Sosa neste momento acho que precisa de mais rodagem. Há jogadores que ganham ritmo jogando 20 ou 30 minutos, ele é um dos que muito provavelmente quanto mais jogos for fazendo, acumula carga e consegue crescer. Foi uma questão técnica. Os dois estavam prontos para jogar. A opção pelo Jair foi mais no poder de construção e conseguir ver um pouco mais a frente no momento de construção. Foi mais neste sentido e porque também precisamos do Jair bem, tal como depois o Barros em seu tempo. Foi uma questão técnica simplesmente. Sosa e Jair precisam de tempo e jogar para ganhar ritmo. Para as características desse jogo, que esperávamos um bloco baixo, mas não tão baixo, precisávamos de alguém que conseguisse manter a capacidade de encontrar esses homens entrelinhas, alguém com essa clarividência. Não que o Sosa não tenha, tem outras características, mas para o jogo de hoje nos pareceu a opção mais válida. Não foi nenhuma questão, acho que o Sosa tem saúde para dar e vender.
Há conversas internas sobre qual competição priorizar?
— Podemos voltar a ganhar competições e vamos querer estar em todas as frentes. Agora, como é lógico, e como era quando chegamos aqui ao Vasco, a situação era mais delicada no Brasileirão, e foi esse o nosso foco. Hoje, queria muito ganhar pelo que já expliquei: para nós, enquanto equipe, isso era fundamental para nos dar uma alavancada para o que vem no fim da temporada. Não foi possível, mas vamos ter outra competição na terça-feira, sem nunca desrespeitar a nossa forma de pensar. Conversamos internamente sobre quais são as prioridades. Neste momento, temos três (prioridades).
Atitude para o jogo do Boca:
— A atitude naturalmente é o que vai mudar. Porque é uma competição diferente e é o primeiro de dois jogos. Vamos jogar na Argentina contra um time que também fez suas gestões ontem na equipe e por coincidência também não ganhou, esteve perto de perder. Sabemos da qualidade do time que vamos enfrentar, uma equipe que luta para ser campeã na Argentina. Por isso temos noção do que vamos enfrentar. Mas também temos a noção de que se quisermos ser mais competitivos e lutar pelo resultado, vamos ter que dar bem mais do que demos hoje. Também temos direito a ter um jogo ruim de vez em quanto, por isso mesmo estou aqui não defendendo os jogadores, porque tenho noção de que não fizemos um bom jogo. Mas também tenho a noção de que na terça-feira vamos apresentar um nível top. Isso vem da forma como nós nos preparamos física, técnica, tática e mentalmente. Se for perguntar a qualquer um dos jogadores, sabem perfeitamente que hoje foi menos bom, mas que terça-feira temos que estar no maior nível para sermos competitivos.
Com informações do ge.