Pedro Emanuel: 'Acredito muito na qualidade do nosso trabalho'
Desilusão. Assim Pedro Emanuel classificou o empate do Vasco com o Olimpia, em São Januário, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana. O time deu mais de 20 finalizações, mas saiu no 0 a 0, sem criar nenhuma vantagem para a volta, na próxima quinta-feira no Defensores del Chaco, em Assunção.
— O Olimpia não vai fazer um jogo em casa como fez hoje. Foram extremamente defensivos, os números são evidentes. Isso nos levou a um tipo de jogo não é comum no nosso campeonato, com 20 chutes, vários escanteios... Baita atitude da equipe, sabíamos que teríamos várias oportunidades porque o Olimpia geralmente se resguarda mais quando joga fora de casa, mas hoje foi muito mais. Criamos duas ou três boas oportunidades para pelo menos sair com um gol. Ficamos desiludidos porque queria essa vitória para a torcida. Fica o orgulho pelos jogadores que deram tudo, alguns não vêm sendo muito utilizados mas mesmo assim deram tudo de si. Independente da desilusão, acredito muito na qualidade do nosso trabalho. Quando fomos à Assunção, temos a capacidade de chegar lá e jogar olhos nos olhos. E aí vamos ver quem será o melhor.
O Vasco foi soberano no jogo. Mesmo com algumas mudanças, como a saída de Jair, poupado, o goleiro Léo Jardim praticamente não foi exigido. O português valorizou a evolução defensiva.
— Defendo muito isso, que 50% do trabalho foi bem feito hoje (defensivamente). Os outros 50% foram só 30%, faltaram os últimos 20% que nos dariam o gol da vantagem. Não fiquei totalmente desapontado com o resultado, que está completamente aberto para os dois lados. O Olimpia também vai ter que fazer por isso. Em casa, o Olimpia é muito mais forte no sentido ofensivo. Isso também nos permite ter mais brechas para o que é o nosso jogo, que também cria dificuldades ao adversário. Acho que vai ser esse aspecto que vai definir. O jogo tem várias fases e momentos, hoje só teve um para nós. Isso tem que ser uma satisfação para nós. A ansiedade de querer fazer gols, e (ter) alguns jogadores que não têm jogado tanto quererem mostrar que podem ser importantes na equipe, também não ajuda. Jogamos em São Januário cheio, com a torcida puxando para nós.. Isso nos ajuda e nos empurra para a frente, e faz a gente ter essa desilusão no final, porque queríamos dar a vitória à nossa torcida. Não foi possível, mas estamos no intervalo do jogo. Ninguém ganha no intervalo. Vamos preparar bem o segundo jogo e, antes, recuperar bem porque no domingo temos um jogo importantíssimo para nós e para o Santos. Por isso mesmo, quem se apresentar e se recuperar melhor, naturalmente, vai ter mais possibilidades de fazer o resultado que pretende - analisou.
Esta quinta-feira marcou um mês de trabalho de Pedro Emanuel desde a chegada ao Vasco. O treinador avalia o trabalho muito em cima das nuances do calendário do futebol brasileiro.
— É um espaço muito curto ainda para fazermos uma avaliação tão profunda. Fui jogador, então sei o quanto custa quando jogamos de três em três (dias).. Temos sido muitas vezes castigados. A importância da recuperação é fundamental, e ela por vezes não é só física, mas mental. Esta última, para mim, é a mais importante, para que o jogador possa se sentir com frescor mental e dar no jogo o que pode. Essa questão do rodízio às vezes nem é um rodízio, mas é uma questão física. Um jogador que fizer três jogos seguidos nesse contexto... Não posso exigir dele no quinto jogo (consecutivo). Uma exceção que até podemos avaliar, tirando o Léo (Jardim), é o Robert Renan. Tem feito praticamente todos os jogos, cresceu muito. Tem estado muito consistente e hoje fez um jogo quase perfeito. Por isso mesmo, eu o mantenho. Neste jogo, chegou a vez do Cuesta (descansar), já estava em quase desgaste máximo. Nós não queremos que isso aconteça. Queremos sim que eles tenham algum desgaste, porque nossa forma de jogar é muito intensa. Sei que não posso mudar de um momento para outro a nossa forma de treinar e jogar. Precisa ser gradual, isso leva seu tempo. A avaliação que acho importante até agora é que houve poucas lesões, tirando as traumáticas, como o Brenner e o Andrés (Gómez), que são questões que não podemos prever. Agora, devemos ter controle sobre todo o resto, ou pelo menos avaliarmos bem essa questão. É isso que peço à minha comissão, a todos os departamentos do clube. Estamos pensando todos da mesma forma. Todos têm sua avaliação e opinião, e eu as respeito. No fim, decidimos - afirmou.
Fonte: ge