Futebol

Nenê explica escolha entre Vasco e Corinthians: 'Virei vascaíno'

Proposta do Corinthians? Nenê preferiu o Vasco

Depois de passar pelo PSG, Nenê ainda jogou no Al-Gharafa, do Catar, e no West Ham, da Inglaterra, antes de tomar a decisão de voltar ao Brasil, em 2015. O jogador revelou que teve propostas, mas ficou entre dois clubes: Corinthians e Vasco.

O Timão parecia mais atrativo, já que tinha montado um grande elenco e liderava o Campeonato Brasileiro. Porém, dois pilares da carreira de Nenê apareceram na hora de tomar uma decisão: a fé e o desafio.

– Eu balancei, eu iria para o Corinthians, não conhecia nada do Vasco. Eles estavam em primeiro (no Brasileirão), estavam bem no campeonato. Acho que o Tite até falou uma vez sobre isso. Procuro sempre colocar todas as coisas na balança para tomar uma decisão.

– Deu certo, tanto que acabei o campeonato como craque da galera, o melhor do campeonato eleito pela torcida num time que foi rebaixado. Se eu fosse para o Corinthians, eu ia ter sido mais um jogador só. Eu não ia ter sido marcado na história do Corinthians, por exemplo, e no Vasco eu sou um cara marcado – explicou.

De fato, Nenê ficou marcado com a torcida do Vasco. Ajudou o clube a subir para a primeira divisão duas vezes, conquistou o Campeonato Carioca de maneira invicta em 2016, o último título do Cruz-maltino até hoje e, por muito tempo, foi referência técnica do time. Ele não era, mas se tornou torcedor do clube onde é respeitado.

– Você receber esse carinho, essa recepção, tinha a faixa lá. Isso não tem preço. É uma coisa que poucos caras conseguem, jogando ainda, ter essa admiração, esse respeito. Mas é porque eu sempre respeitei também. Sempre dei a vida dentro de campo e o torcedor do Vasco viu isso. Até isso é um pouquinho de alegria que deu para a gente conseguir. Virei vascaíno e sempre vou agradecer e ser muito grato à torcida e a esse clube.

O jogo citado por Nenê foi no ano passado, quando o Juventude visitou o Vasco em novembro, pelo Campeonato Brasileiro. O camisa 10 teve recepção calorosa dos torcedores, com fotos, vídeos especiais e uma faixa com os dizeres: "Obrigado, Nenê". O meia marcou duas vezes na vitória por 3 a 1 da equipe de Caxias do Sul.

A chapada do Nenê

O jogador ganhou notoriedade com o Vasco, mas atingiu o imaginário dos mais jovens com os memes. O "vovô garoto" vê a questão com muita naturalidade, uma maneira de se conectar com os próprios jogadores do elenco do Botafogo-PB.

– Eu acho que é uma maneira de me conectar com eles. Eu tenho idade para ser o pai deles, mas sempre manter a cabeça, a mentalidade, jovem. Fico brincando que meu metabolismo é só na idade (44), na carcaça eu estou com uns 30 e poucos.

Um desses "memes" foi a "Chapada do Nenê" em alusão aos gols marcados pelo jogador com chutes curvados, com a parte interna do pé. Popularizado pelo lateral-esquerdo Reinaldo, durante a passagem do meia pelo São Paulo, Nenê acabou eternizado.

Perguntado sobre a "chapada" favorita, Nenê lembrou de algumas da época do PSG e do Vasco, mas acabou escolhendo uma pelo próprio São Paulo. Foi no jogo contra o Vitória, válido pelo Brasileirão de 2018, quando ele balançou as redes com um golaço.

Chegada ao Vasco e arrancada

– Foi incrível, esse segundo turno foi incrível. Foi uma coisa surreal assim. Quando eu cheguei, todo mundo já falou que o time já tinha caído em agosto. Me perguntavam: ‘O que você veio fazer aqui?’. Quando acabou o campeonato, eu tive proposta de todos os times grandes, na maioria dos times grandes, inclusive dos rivais, Palmeiras, Flamengo, Atlético, São Paulo, mas acabei ficando no Vasco na Série B.

– Foi uma identificação tão grande com o clube, com os torcedores, que a gente vê isso até hoje. Até hoje, a torcida pede para eu voltar para lá. Eu sou o segundo maior artilheiro do século do Vasco, sendo meia, e um cara que fez mais assistências no século no clube, consegui ajudar o time a subir duas vezes. Mas aí por coisa de problema de salário, que não estava recebendo, o Eurico (Miranda) saiu, teve um monte de problema e eu acabei tendo que sair.

Batalha de Itu

– Eu, por incrível que pareça, estava muito tranquilo. Nós fomos para um hotel lá em Itu, aí dois, três dias antes, ansioso demais, acho que todo mundo estava ansioso. A gente já poderia ter subido faz tempo, acabamos dando uns moles lá. Acho que foi até um pouco disso daí, pois você tem que profetizar uma coisa para antes dela acontecer e às vezes ela acaba acontecendo então.

– Dormi bem e tal. Fui para o jogo e estava lotado de gente, ainda tinha as cores do rival do Vasco. Na hora em que saiu o pênalti, meio que eu já sabia e acabei fazendo o gol. Tomamos uma pressão danada mesmo com um a mais. Quando acabou, saiu um peso mesmo. Imagina o Vasco, dois anos seguidos na Série B, acho que fazia muitos anos que não acontecia isso, todo mundo ia ficar marcado de uma maneira ruim.

Fonte: ge