Futebol

Empresa faz acusações contra a CBF e segue disputa pelos direitos do BR

Em meio à disputa pelos direitos do Brasileiro, a empresa BR Foot acusou a CBF de incluir uma agência suspeita na intermediação de propriedades de placas da Série A que pertencem aos clubes. Essa agência é o Grupo Águia, de Wagner Abrahão, cujas relações com a confederação já foram investigadas por CPIs e que manteve negócios com os ex-presidentes da entidade, Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira. A acusação envolve o contrato de patrocínio da Gol. A CBF e a empresa aérea negam as informações da BR Foot.

No segundo semestre de 2018 CBF, BR Foot e clubes acertaram um contrato pela compra dos direitos internacionais e das placas do Brasileiro. O valor global era de R$ 550 milhões e o primeiro pagamento de luvas ocorreria em dezembro. Mas, antes disso, em outubro, começaram disputas entre as partes.

Em 29 de novembro, a BR Foot enviou à CBF uma notificação extrajudicial com dois questionamentos sobre supostas violações aos direitos adquiridos. Um deles era relacionado a direitos conflitantes com a Globo. O segundo questionamento é porque a confederação teria vendido direitos sobre placas de publicidade do Brasileiro para seu patrocinador GOL sem que tivesse propriedades sobre esses.

A notificação extrajudicial, a que o blog teve acesso, aponta que a funcionários da BR Foot procuraram o gerente de marketing da GOL, German Carmona, para vender placas do Brasileiro. Em resposta, ele afirmou já ter direitos as placas por conta do acordo de patrocínio da CBF. Há um e-mail anexado como prova em que Carmona afirma: ''Como patrocinadores da CBF, já temos placas em todos os jogos do Brasileiro''

No relato da BR Foot, houve em seguida um questionamento à CBF já que isso iria ferir a exclusividade sobre as placas da empresa. Na ocasião, segundo a empresa, diretores da confederação afirmaram a executivos da BR Foot que havia uma previsão de placas publicitárias do Brasileiro no contrato de patrocínio da GOL. Pelo relato, a entidade afirmava que a agência tinha obrigação de vender as placas para a GOL. Lembre-se: essas placas pertenciam aos clubes, e não a CBF.

Assim, a BR Foot explica na notificação: ''Nessas reuniões, foi solicitado à BR Foot que aceitasse que os referidos espaços publicitários da Gol fossem pagos por outro fornecedor da CBF. Uma empresa que até onde se sabe não guarda vínculo com a GOL, mas que possui relação comercial de longa data com a CBF. Tal solicitação foge da normalidade comercial vez que a solicita-se que o pagamento de uma obrigação devida pela GOL (…) se dê de maneira amigável por empresa estranha ao seu controle ou conglomerado comercial.''

Pela versão da BR Foot, a CBF pediu que o Grupo Águia agisse em nome da GOL e negociasse as placas. O Grupo Águia tem notória relação com os ex-presidentes da CBF Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero. Seu dono Wagner Abrahão tem relação pessoal com Teixeira e elo de negócios com Del Nero.

Em paralelo, o Grupo Águia realiza todas as operações de viagem do Brasileiro e das seleções brasileiras há pelo menos 20 anos, tendo também vendido ingressos de Copa do Mundo.  A negociação de patrocínio da GOL com a CBF já teve interferência do Grupo Águia, como revelaram investigações da CPI.

Em 11 de dezembro, a CBF respondeu com outra notificação negando as acusações da BR Foot, alegando que tratava-se de uma forma de fugir das obrigações contratuais. ''De outra parte, com relação à licença para comercialização de publicidade estática, as ilações contidas na notificação de 30 de novembro não se sustentam. já que os representantes da empresa GOL haverão de negociar diretamente com a BR Foot seu eventual interesse na aquisição de espaço de publicidade estática a partir de 2019''. Em seguida, afirma que a CBF nega ''energicamente'' que estivesse negociando propriedades que pertencem aos clubes.

Questionada pelo blog, a assessoria da imprensa da CBF reforçou sua negativa ou ter indicado o Grupo Águia como intermediário da GOL.  ''Isso não faz parte do acordo de patrocínio. A CBF não mistura propriedades inerentes à Seleção Brasileira com direitos de placas do Campeonato Brasileiro'', afirmou. A entidade ainda afirmou que não há intermediação no contrato da GOL com a entidade.

A assessoria da Gol deu versão similar, embora admita que tem relações comerciais com o Grupo Águia para compras de passagens e ações de marketing: ''A GOL esclarece que o contrato com a CBF não inclui nenhum tipo de negociação sobre publicidade estática (placas nos estádios). A Companhia reitera ainda que não mantém, assim como nunca teve, qualquer tipo de relação comercial com a empresa BR Foot. Especificamente com o Grupo Águia, a GOL possui, entre outras relações comerciais, um acordo para venda de passagens aéreas para o transporte dos Clubes Brasileiros e ações de marketing.''

A Gol não explicou, no entanto, por que seu gerente de marketing tinha dito por e-mail deter direitos sobre as placas de publicidade do Brasileiro. Até agora, nenhum clube se manifestou. A BR Foot não se pronunciou sobre o caso.

O imbróglio entre CBF e a BR Foot ainda não teve conclusão. A CBF cogita um rompimento do acordo e clubes já analisam outra proposta da Prudent. Mas a disputa transforma-se em uma trava comercial por enquanto.

Fonte: Blog do Rodrigo Mattos - UOL Esportes