Futebol

'É improvável que Lamacchia esteja oficialmente no comando logo na...'

O Vasco deu, nesta quarta-feira (15), talvez o passo mais importante desde o início das negociações para a venda da SAF. A publicação do edital de alienação judicial da UPI Equity pela 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro tira o processo do campo das conversas e o coloca oficialmente na fase competitiva prevista no plano de recuperação judicial.

Mas a pergunta que todo vascaíno faz agora é outra: o que ainda falta para Marcos Lamacchia assumir o controle da SAF? E haverá tempo para comandar o mercado nesta janela de transferências?

A resposta é: ainda existem etapas importantes, mas o cronograma joga a favor do Vasco.

Quais são os próximos passos?

Apesar do avanço, a venda ainda não está concluída.

Pela estrutura definida pela Justiça, o processo passa pelas seguintes fases:

  • realização do processo competitivo para receber propostas;
  • possibilidade de surgirem investidores concorrentes;
  • direito de preferência (stalking horse) da Almirante Participações, empresa de Marcos Lamacchia, para igualar qualquer oferta superior;
  • homologação do resultado pela Justiça;
  • cumprimento das condições previstas no acordo, incluindo reorganização societária da Nova SAF e pendências judiciais;
  • assinatura e fechamento definitivo (closing) da operação.

Ou seja, Lamacchia ainda não é o dono da SAF.

Ele chega ao processo em posição extremamente favorável, porque já possui um contrato vinculante e terá preferência caso apareça outro interessado.

Existe risco de outro investidor aparecer?

Sim.

Como se trata de uma alienação judicial, a legislação exige um processo competitivo justamente para garantir transparência e buscar a melhor proposta possível.

Na prática, entretanto, investidores que entram como stalking horse normalmente possuem enorme vantagem.

Além de já terem realizado due diligence, negociado contratos e estruturado toda a operação, ainda podem cobrir a melhor proposta apresentada.

Em diversos processos semelhantes de recuperação judicial no Brasil, esse mecanismo acabou confirmando o investidor âncora como vencedor, embora isso não seja uma garantia jurídica absoluta.

Quando a venda do Vasco pode ser concluída?

O próprio edital estabelece que a operação deve ser concluída até 30 de setembro de 2026.

Na prática, porém, isso representa um prazo máximo.

Se não houver impugnações relevantes, recursos capazes de suspender o procedimento ou disputa intensa entre investidores, o fechamento pode acontecer antes.

Ainda assim, qualquer operação desse porte depende de diversas validações jurídicas, o que dificulta prever uma data exata.

Lamacchia chega para a janela?

A janela brasileira abre em 20 de julho e vai até 11 de setembro.

Pelos prazos naturais desse tipo de operação, é improvável que Lamacchia esteja oficialmente no comando logo na abertura da janela.

Por outro lado, existe uma possibilidade concreta de que o processo avance durante o período de inscrições.

Caso a homologação ocorra nas próximas semanas e o fechamento aconteça antes do início de setembro, ainda haveria tempo para influenciar a reta final do mercado.

Ou seja:

  • início da janela: cenário pouco provável;
  • reta final da janela: possibilidade real, dependendo da velocidade do processo judicial.

O que muda no mercado do Vasco?

Esse talvez seja o ponto que mais anima o torcedor.

O edital prevê R$ 500 milhões destinados exclusivamente ao futebol, divididos em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões, sempre corrigidas pelo INPC. Além disso, há investimentos específicos para infraestrutura:

  • R$ 120 milhões para o CT profissional ao longo de dez anos;
  • R$ 30 milhões para melhorias na base em apenas dois anos.

Isso significa que os recursos destinados ao elenco ficam protegidos contratualmente.

Dá para fazer um grande mercado?

Se os primeiros R$ 100 milhões forem efetivamente disponibilizados ainda em 2026, o Vasco passaria a ter um dos maiores poderes de investimento desta janela.

Esse valor permitiria diferentes estratégias:

  • contratar atletas prontos para assumir a titularidade;
  • pagar direitos econômicos de jogadores valorizados;
  • dividir investimentos entre várias posições carentes;
  • competir financeiramente com clubes de maior poder aquisitivo.

Naturalmente, o impacto dependerá da forma como os aportes serão liberados, do fluxo de caixa disponível no fechamento da operação e do planejamento esportivo.

O cenário hoje

O sentimento dentro do Vasco mudou significativamente nas últimas horas.

Até poucos dias atrás, a negociação ainda dependia de uma definição sobre a estrutura jurídica da operação.

Agora, existe um edital publicado, um investidor oficialmente reconhecido como âncora, regras estabelecidas pela Justiça e um cronograma definido para a conclusão da venda.

Ainda faltam etapas importantes, mas, pela primeira vez, o processo deixou de ser apenas uma negociação e passou a seguir um rito formal com prazo para ser encerrado.

Se não houver obstáculos relevantes no caminho, o Vasco está mais perto do que nunca de ter um novo controlador da SAF — e isso pode mudar completamente o patamar financeiro do clube para as próximas temporadas.

Foto: Matheus Lima/VascoSão Januário
São Januário

Fonte: Canal Vasco