Como o Brenner, novo reforço do Vasco, desempenhou no comando de Diniz
O ano era 2020. O São Paulo, comandado por Fernando Diniz, se preparava para enfrentar o Corinthians no Morumbi. O técnico olhou para o elenco e viu um atacante já conhecido, mas desacreditado. A partir de uma conversa em tom de cobrança, tudo mudou. O jogador em questão era Brenner, que vai reencontrar o treinador no Vasco em 2026.
Contratado nesta semana, Brenner chega como indicação de Diniz. O clube carioca buscava um atacante para o sistema ofensivo, e o camisa 9 foi o primeiro nome levado à mesa pelo treinador. O ge relembra como Diniz foi fundamental na transformação da carreira do jogador.
A dura de Diniz e a virada
Brenner era um atacante badalado desde cedo. Revelado em Cotia, subiu ao profissional carregando o rótulo de artilheiro da base desde o Sub-15. Sem conseguir engrenar, acabou emprestado ao Fluminense e não se firmou.
Diniz havia trabalhado com o atacante nas Laranjeiras. Ao assumir o São Paulo, viu Brenner treinando separado do elenco principal e pediu sua reintegração imediata.
A conversa decisiva ocorreu na véspera de um clássico contra o Corinthians. Diniz cobrou, Brenner ouviu — e o efeito foi imediato. O atacante contou ao ge, em 2020, como foi o diálogo e o reflexo dele dentro de campo. Naquele dia, o jogador entrou durante o Majestoso e marcou o gol da vitória tricolor.
— Essa conversa foi um dia antes do clássico. Eu nem estava sendo relacionado… Ele falou que eu não poderia deixar meu tempo passar, respeitar o futebol para voltar a ter êxito na carreira.
— Com o 1 a 1, ele me falou “confia”. Deu a dura dele, normal. Eu fui feliz no gol. Depois do gol, encontrei ele no CT e veio outra dura: “não adianta parar aqui, tem que manter…”. Eu levo isso até hoje.
Depois desse momento, Brenner deslanchou. Foram 22 gols e quatro assistências em 44 jogos. Ele terminou a temporada como titular e destaque do São Paulo, que chegou a brigar pelo título do Brasileirão antes de despencar na reta final.
Ele foi vendido ao FC Cincinnati antes mesmo do fim do campeonato. Seu último jogo foi contra o Atlético-GO, na 33ª rodada — mesma partida em que Diniz foi demitido.
”Não ensinei o Brenner a jogar futebol”, disse Diniz
Em entrevista ao Bem, Amigos!, do sportv, em novembro de 2020, Diniz explicou o processo de mudança do atacante:
— O Brenner chegou com 13 anos no São Paulo. Chorou muito em Cotia. Subiu com 17 e achamos que ele ia resolver tudo. Estava quase indo para o quarto ano sem jogar. Não foi uma conversa, foram várias. Levei ele para o Fluminense a custo zero.
— Quando cheguei no São Paulo pedi para ele voltar. Fui convencendo que ele precisava mudar, encarar o futebol com seriedade. Hoje ele é muito mais solidário, responsável, disciplinado. Eu não ensinei o Brenner a jogar futebol. Ele que me dá soluções com os gols que faz — completou Diniz.
O destaque na MLS que o levou à Itália
Brenner foi contratado para ser uma das referências do FC Cincinnati, clube que aumentou o investimento em 2021, especialmente em atletas sul-americanos. Após um primeiro ano de adaptação, brilhou em 2022: foram 24 participações em gols em 31 jogos. Tiago Brandão, do portal Território MLS, resumiu assim a passagem do brasileiro:
— Foram duas passagens no Cincinnati. No primeiro ano, adaptação. No segundo, números incríveis. Formou um trio interessante com Barreal e Acosta. O time foi muito bem e a Udinese contratou o Brenner.
— Ele voltou depois e fez dez jogos, com seis gols e uma assistência. O grande destaque no retorno foi o clássico contra o Columbus Crew, quando fez dois gols. Ele é muito querido lá. Não ficou mais por vontade dele de seguir na MLS. Foi decisivo e teve uma passagem muito boa.
A última partida de Brenner foi no dia 23 de novembro, pela semifinal da Conferência Leste da MLS. Na ocasião, o Cincinnati foi eliminado pelo Inter Miami por 4 a 0.
O Vasco vai pagar 5 milhões de euros (R$ 31 milhões na cotação atual) à Udinese, da Itália, pelo jogador. O valor será parcelado em cerca de três anos. O atacante foi um pedido de Fernando Diniz, que queria um atacante de maior mobilidade para o sistema ofensivo.
Fonte: ge