Futebol

Cano fala da rápida identificação com a torcida, Abel e financeiro do clube

Germán Cano tem apenas 22 dias de Rio de Janeiro, mas rapidamente pegou hábitos cariocas, conheceu parte das belezas da Cidade Maravilhosa e já se inteirou da atual realidade do Vasco. Mais importante que tudo isso foi o gol marcado no último sábado, nos acréscimos contra o Boavista (1 a 0). O primeiro dele pelo clube e que encerrou o jejum de vitórias da equipe em 2020.

O argentino, de 32 anos, precisou de apenas dois jogos para marcar, mas é autocrítico e sabe que ainda precisa evoluir muito para se adaptar ao futebol brasileiro, em sua visão bem diferente do colombiano, onde brilhou com a camisa do Independiente Medellin.

- Me encantaria poder repetir aqui no Brasil tudo o que fiz na Colômbia. Sei que há a questão da adaptação, chego a um futebol que é muito mais dinâmico e competitivo, mas me encantaria repetir para ajudar o Vasco. Na Colômbia é muito mais tranquilo, muito mais pausado. O futebol aqui é mais forte, mais dinâmico. Me senti bem. Estou me adaptando, conhecendo meus companheiros e espero poder seguir metendo gols.

Se Cano entende a adequação a um novo ambiente como um processo a ser vencido em etapas, a busca por conhecer a cultura do carioca e os cartões-postais do Rio tem sido bem menos complexa. Na cidade desde 6 de janeiro, já esteve em pontos turísticos, passeou pela orla da Zona Sul e adquiriu algumas manias comuns aos locais, como a de falar os famosos palavrões que os moradores daqui usam como vírgula.

- Entendo muito bem (o português), me custa um pouquinho falar, mas cheguei há duas semanas. Já estou entendendo muitas coisas quando falam devagar. Entendo. Estou aprendendo coisinhas (risos). Já aprendi "galera", "irmão"... Palavras mais feias? P... que p... e car... (risos) Mas estou bem.

- Fui ao Cristo, Ipanema, Leblon, Copacabana. Na verdade, passei por lá (pelos bairros), e é muito lindo. Comi Feijoada, muito boa. Ainda não conheço o samba e o Carnaval, mas quero ir. Quando será (o Carnaval)?

Rio de Janeiro à parte, o hermano Cano falou muito de Vasco. A negociação para jogar pelo clube, as dificuldades financeiras e a relação com Abel Braga foram as outras pautas. Confira abaixo:

Responsabilidade como único reforço contratado até agora

A responsabilidade é muito grande, igual à que todos os meus companheiros têm. Obviamente é importante trazer reforços para o Vasco, porque aumenta muito mais o potencial de toda a equipe. Acima de tudo, é importante contratar jogadores para diferentes posições por todos os campeonatos que temos a longo prazo. Para que o Vasco esteja no mais alto e possa brigar por todos os títulos que tenhamos pela frente.

Tem alguma meta de gols pessoal?

Não tracei uma meta. Minha meta pessoal e coletiva é de que o Vasco esteja nas primeiras posições, que possamos brigar pelo títulos. Que possamos entrar nas copas internacionais, o que fortalece muito o clube. Essa é minha primeira meta aqui. Mais à frente, posso ter isso, é importante o atacante meter gols. Gols são confiança e um complemento para jogar bem.

O Vasco está carente de ídolos num passado recente. Se sente pressionado por isso?

Não estou sentindo pressão. Estou tranquilo, estou sentindo um grande apoio de toda a torcida, o que é fundamental para um estrangeiro que chega aqui. Para fazer as coisas bem, é preciso ter isso. Apoio da torcida, dos companheiros e da instituição. Disso sim se necessita muito para fazer as coisas bem pela instituição Vasco da Gama, isso que importa.

O que pesou para escolher o Vasco?

Tive várias propostas de outros clubes do Brasil, mas a torcida do Vasco, o presidente e o diretor executivo me seduziram porque eles foram na Argentina me conhecer, conversar comigo. Isso foi o que me atraiu. Isso foi um indício para que eu viesse para o Vasco.

Se interessaram muito por mim, quiseram conversar comigo, perderam o tempo deles para me conhecer. Me contaram que as coisas aqui estavam um pouquinho mal e que estavam tratando de solucioná-las para terem um ano muito melhor do que o ano passado em relação aos salários, o que é muito importante para o jogador. Se o salário está em dia, o jogador vai render muito mais em campo. Estão muito comprometidos em resolver isso e deixar o salário em dia.

O projeto que eles têm para esse ano é muito bom. Gostei muito, e o carinho da torcida nas redes sociais também. "Vem para o Vasco, vem para o Vasco". Isso me comoveu muito, e por isso gostei de vir para cá. Rio de Janeiro é muito bonito, estou muito perto da Argentina, da minha casa e dos meus amigos. Estou muito contente e espero dar tudo para dar muitas alegrias à torcida.

Relação com Abel

Muito boa. É uma pessoa muito correta, com uma ambição que é muito boa em relação ao que quer para a equipe. Esperamos poder ajudá-lo para que a equipe cresça e consiga boas posições.

Fonte: ge