Futebol

Análise: Vasco respira na luta contra o rebaixamento

Pedro Emanuel, enfim, conquistou a primeira vitória no comando do Vasco no Campeonato Brasileiro e venceu o Cruzeiro por 3 a 1, na noite deste sábado, em São Januário. Um resultado para dar um alívio momentâneo ao time, que dorme fora da zona de rebaixamento, e para concretizar a evolução da equipe nas mãos do técnico português.

O Vasco precisava urgentemente transformar os bons desempenhos recentes em vitórias no Campeonato Brasileiro. E já vinha merecendo pelo volume de jogo que havia demonstrado em boa parte dos duelos contra Bahia e Santos e no primeiro tempo diante do Palmeiras. Há de se levar em conta, claro, um Cruzeiro naturalmente fragilizado pelo time reserva. No entanto, a equipe de Pedro Emanuel apresentou uma partida coletiva praticamente irretocável.

E balançar as redes ainda no primeiro tempo tirou um peso das costas. Não só de Tchê Tchê, muitas vezes criticado pela torcida e que não marcava há quase cinco meses, mas do time como um todo. Um gol que vinha fazendo muita falta nos últimos jogos do Campeonato Brasileiro, em que o Vasco controlava as ações, empilhava chances, mas esbarrava na ineficácia ofensiva.

A ansiedade pelo gol consumia e castigava, os espaços para o adversário aumentavam, e o time acabava por ser vazado. Dessa maneira, os pontos positivos que vinham sendo construídos eram, por fim, desfigurados por completo, e a derrota aparecia como consequência iminente.

Para a felicidade do torcedor vascaíno que fez mais uma linda festa em São Januário lotado, esse não foi o caso contra o Cruzeiro. O Vasco já era melhor antes do gol de Tchê Tchê e havia construído chances cristalinas para marcar, a melhor em cabeçada desperdiçada por Adson praticamente na pequena área. Otávio, goleiro do Cruzeiro, fez boa defesa e terminou o primeiro tempo como melhor jogador do time mineiro.

O cenário de domínio vascaíno seguiu para a etapa final. Com o time bastante modificado, o Cruzeiro teve dificuldade para entrar no jogo. O Vasco dominou o meio-campo com ótimas atuações de Thiago Mendes, Tchê Tchê e Sosa — este último fundamental na sustentação defensiva, com boas antecipações e jogo físico. A dupla de zaga também controlou as tentativas de bolas em profundidade do Cruzeiro, que apresentava dificuldade para furar o bloqueio do Vasco.

A conjuntura do jogo só foi modificada com as substituições de Artur Jorge, sobretudo a entrada de Matheus Pereira, quando o Vasco já havia ampliado o placar com Lucas Freitas. O time mineiro equilibrou as ações e se fez mais presente no campo de ataque, mas sem levar perigo efetivo ao gol de Léo Jardim.

O Vasco ainda chegaria ao terceiro gol, com David, e a sensação era de que poderia ter feito mais, não fosse o nítido desgaste acumulado pelos quase 80 minutos com um jogador expulso na partida contra o Vitória, na última quarta-feira, pela Copa do Brasil. Jogadores como Colidio, Thiago Mendes e Sosa apresentaram cansaço e precisaram ser substituídos. Minutos depois do gol de David, Felipe Morais descontou e deu números finais ao jogo.

O Vasco com Pedro Emanuel mostrou, mais uma vez, a solidificação de um padrão de jogo. Os resultados que já apareceriam nas copas, enfim, deram as caras no Brasileirão. E é fundamental que esse espírito e concentração apresentados estejam com o time nesta reta final de torneio. A virada de chave acontece em momento crucial para mudar o panorama crítico da equipe na competição e dar um respiro ao torcedor, que poderá dormir aliviado nesta noite de sábado fora da zona de rebaixamento.

Próximos compromissos

Os dois times voltam a jogar já neste meio de semana, pela Copa do Brasil. O Cruzeiro vai à Arena MRV enfrentar o rival Atlético-MG na terça-feira (01), às 21h. O Vasco enfrenta o Vitória no Barradão, em Salvador, na quarta-feira (02), às 21h30.

Ficou barato no primeiro tempo

O placar de 1 a 0 que o Vasco levou para o intervalo da partida ficou bem barato para o Cruzeiro dado o que apresentaram os dois times. Os vascaínos se impuseram desde o início da partida, colocando intensidade e pressionando no campo de ataque em busca de voltar a vencer depois de oito jogos no Brasileirão. A primeira boa chance dos donos da casa foi de Adson, que parou em grande defesa de Otávio. O goleiro cruzeirense, inclusive, foi o grande protagonista. Ele teve ainda outras três ou quatro grandes defesas, porém todas elas depois de Tchê Tchê abrir o placar. O volante aproveitou bom passe de Colidio, ganhou de Matheus Henrique no corpo e entrou na área completamente sozinho. Teve tempo de observar e tocar no canto baixo sem chances para o goleiro cruzeirense. O grande destaque vascaíno no primeiro tempo foi Colidio. Começou jogando como centroavante e criou os principais lances de perigo do time.

Domínio mantido no segundo

O domínio vascaíno se manteve na volta do intervalo. O time seguiu pressionando e criando chances, sem dar brechas para um crescimento do Cruzeiro. Adson desperdiçou pelo menos duas boas chances de ampliar. Lucas Freitas não. Em jogada que começou no rebote do escanteio, Piton cruzou, Cuesta deixou passar e Lucas apareceu livre para fazer o segundo. A partir dali, o jogo perdeu em intensidade e oportunidades. O Cruzeiro até tentava pressionar, mas sem levar perigo ao gol defendido por Léo Jardim. Os contra-ataques do Vasco eram perigosos, porém pecando no momento de finalizar. David fez o terceiro em ótimo cruzamento de Ramon Rique já nos acréscimos. Minutos depois, Felipe Morais descontou e deu números finais ao jogo.

Fonte: ge