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Análise: Vasco paga preço por deixar a Sul-Americana de lado

O mínimo foi feito na noite desta quarta-feira. O Vasco venceu o modesto Barracas Central por 3 a 0, mas terminou a fase de grupos na segunda colocação, classificado aos playoffs da Copa Sul-Americana. Uma vitória que pouco arrefece o clima pesado em São Januário, que foi palco de vaias ao término do jogo.

Aliás, a arquibancada foi um reflexo da desconexão que o clube demonstrou com a competição. Foi o pior público registrado pelo Vasco em São Januário desde 2022, com apenas 3.524 torcedores, que protestaram antes da bola rolar. O confronto, inclusive, foi marcado pelo protesto "público zero", em que as torcidas organizadas incentivaram os vascaínos a não irem ao estádio.

Depois de três derrotas consecutivas na temporada, o Vasco chegou ao confronto em ebulição, um reflexo da derrota para o Bragantino e a ausência de Renato Gaúcho na entrevista coletiva. E, pela primeira vez no torneio, o time considerado titular foi escalado e fez a sua obrigação para vencer um time de qualidade baixíssima.

A tensão em São Januário também apareceu no campo nos primeiros minutos. Contra um time bastante limitado, o Vasco controlava as ações, mas com dificuldades para furar a defesa argentina. Mas tudo mudou depois da parada técnica. A equipe de Renato Gaúcho aumentou a intensidade e marcou dois gols com Adson, a boa notícia da noite desta quarta-feira. Antes do segundo gol, o trabalho do Vasco ainda se tornaria mais fácil, depois que Insúa foi expulso por acertar o joelho do próprio Adson.

Na volta do intervalo, o Vasco continuou pressionando e ampliou a vantagem, aos nove minutos, com Rojas, que acertou um chute forte, cruzado, no ângulo. Brenner ainda teve a chance de desafogar a pressão de suas costas em cobrança de pênalti. Teve seu nome gritado pela arquibancada, em dos poucos momentos de consonância entre torcida e time, para que fosse para a marca de cal. Mas desperdiçou e manteve a saga de chances perdidas.

Após o apito final, o time recebeu novas vaias no caminho ao vestiário de uma torcida machucada. O Vasco, que trata o Campeonato Brasileiro como a prioridade, encontra-se à beira da zona de rebaixamento e não conseguiu a vaga direta às oitavas de final na Copa Sul-Americana pelo segundo ano consecutivo.

Como Renato afirmou na entrevista coletiva após o jogo, terminar em primeiro lugar poderia não ter tanta importância para o clube — embora significasse dois jogos a menos em um calendário frequentemente criticado pelo treinador pelo excesso de partidas em sequência. Para os resilientes torcedores presentes em São Januário, porém, isso certamente teria outro peso. Tanto que, nos poucos minutos em que a combinação de resultados colocou o Vasco na liderança do grupo, a arquibancada finalmente sorriu e voltou a cantar alto pelo time.

A sensação que prevalece é de que, se o clube não deixasse a Sul-Americana de lado, o playoff seria facilmente evitado em um grupo de baixíssimo nível de enfrentamento. Agora, a expectativa torna-se sobre qual São Januário o Vasco encontrará em seu último compromisso antes da pausa para a Copa do Mundo. O time encara o Atlético-MG, no domingo, para reencontrar com as vitórias na competição e dar paz ao torcedor em relação ao Z-4.

Foto: Matheus Lima e Dikran SahagianVasco 3 x 0 Barracas Central
Vasco 3 x 0 Barracas Central

Fonte: ge