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Análise: Primeira impressão deixada sem Rayan já era previsível

A derrota do Vasco para o Flamengo por 1 a 0 ficou barata no Maracanã. A equipe vascaína foi dominada em todos os aspectos do jogo e teria sido derrotada por muito mais, não fosse a atuação de Léo Jardim. O goleiro salvou o Vasco em, no mínimo, cinco oportunidades.

Antes mesmo da expulsão de Barros, o Vasco já era dominado pelo Flamengo. O clube havia criado apenas uma chance com GB, que saiu cara a cara com Rossi, mas desperdiçou o gol que abriria o placar.

No primeiro jogo do Vasco sem Vegetti e Rayan, a equipe não teve poder de fogo. Foram 32 finalizações rubro-negras e apenas uma vascaína. Mas os problemas vascaínos não se resumiram ao ataque.

Todos os setores do time estiveram abaixo na noite desta quarta-feira no Maracanã. A pressão dos atacantes foi ineficiente. O meio de campo não teve intensidade na marcação e poder de criação. A defesa, em vários momentos, mostrou problemas para defender em profundidade e pelo alto.

A derrota aumenta o jejum no clássico. Já são quase três anos sem ganhar do maior rival. A diferença dos elencos é gritante, mas não é a primeira vez que o Vasco entra numa partida com menos vontade que o Flamengo e ainda se prejudica com erros fatais, como a expulsão infantil de Barros ou o desperdício do chute de GB.

Os problemas do Vasco na partida

GB foi o escolhido por Fernando Diniz para substituir a vaga deixada por Rayan, que pediu para não jogar contra o Flamengo, por estar com uma negociação encaminhada com o Bournemouth. O atacante não entrou na mesma rotação que o jogo pedia. É verdade que não foi o único, mas ele ainda ficou marcado pela chance perdida após o passe de Paulo Henrique, na jogada que mostra exatamente a estratégia que o Vasco queria para a partida.

A equipe tinha a intenção de jogar curto para atrair a marcação alta do Flamengo e atacar as costas da defesa adversária em profundidade. Foi o que Andrés Gómez conseguiu fazer ao lançar Paulo Henrique. Com exceção a uma arrancada do colombiano em lançamento de Piton, anulada pelo auxiliar da arbitragem, o Vasco não conseguiu criar outras chances parecidas.

Léo Jardim salvou o Vasco em três oportunidades no primeiro tempo, com defesas impressionantes. A na cabeçada de Bruno Henrique entrou para o hall de grandes intervenções do goleiro com a camisa vascaína desde 2023. O primeiro tempo terminou com um placar de 13 finalizações a um.

Na volta do segundo tempo, Diniz fez uma mudança no posicionamento do time: Nuno Moreira ficou mais na base das jogadas para a saída de bola vascaína funcionar mais. A equipe ensaiou escapadas, mas não há como saber se elas melhorariam o desempenho de forma definitiva. Isso porque Barros foi expulso aos 9 minutos. Com um a menos, o Vasco passou a ser mais espectador ainda no jogo.

Paulo Henrique e Lucas Piton fizeram atuações muito fracas. O lateral-direito apresentou uma queda de desempenho desde o fim do ano passado de forma relevante, de um dos mais regulares a um dos mais questionados do time titular. Já o lateral-esquerdo sofre com a parte defensiva. Depois de ser expulso na estreia, Piton voltou ao time titular e errou no corte para a entrada da área. Carrascal aproveitou a sobra e marcou um golaço.

Sem opções no banco de reservas, com um a menos em campo e superado na parte física e tática, além da clara diferença técnica, o Vasco foi dominado no segundo tempo. Léo Jardim evitou que a derrota fosse ainda maior, com duas grandes defesas em chutes de Plata e Samuel Lino. Ao fim da partida, o Flamengo apenas trocou passes e deixou o tempo passar, enquanto rondava a área vascaína.

O horizonte sem Rayan

A primeira impressão deixada sem Rayan já era previsível. Com a transferência concretizada, o Vasco não terá mais um dos melhores jogadores do país. O time ainda perdeu Vegetti, alternativa do banco de reservas que terminou 2025 como artilheiro do Brasil. O clube precisará contratar gols nesta janela de transferências. Somente Brenner e Hinestroza, que são bons reforços, não serão suficientes.

Coutinho precisa ter mais protagonismo. O meia não vem de boas atuações e tem ficado sumido das partidas. Ele se movimenta, vai na defesa ajudar a criação do time, mas é pouco para um jogador tão importante. Sem os dois principais artilheiros da equipe, o camisa 10 precisará chamar mais responsabilidade para si, e um sistema que o forneça isso é necessário.

Andrés Gómez tem sido esse jogador que chama a responsabilidade o tempo inteiro, mas ele não é quem define as jogadas. A presença de um atacante móvel como Brenner pode ajudar Coutinho na criação, que muitas vezes se sente solitário em campo, mas quem decidirá as partidas para o Vasco?

O Vasco sofreu 94 gols em 71 jogos na temporada passada. A defesa continua exposta e não há sinais de evolução. Ainda é o terceiro jogo da temporada, então há tempo. A uma semana da estreia do Vasco no Brasileirão, o torcedor vive a expectativa de novos reforços e de um campeonato sem os mesmos problemas batidos de outros anos.

Fonte: ge