'Vasco pode fazer deste jogo o marco de nova virada histórica'
Ontem, 20 dezembro, os vascaínos festejaram os 25 anos do título da Copa Mercosul, na virada que transformou aqueles 4 a 3 sobre o Palmeiras, no Parque Antártica, no “jogo do século”, por seu caráter histórico. Mas o dia seguinte, a quinta-feira 21, foi igualmente marcante para a adoção do clichê “o Vasco é para quem acredita!”, que hoje une clube e torcida na corrente de estímulo para o time que decide com o Corinthians o título da Copa do Brasil, no Maracanã. E eu tento explicar a razão…
Na ocasião, o Vasco vinha de três jogos sem vitória, jejum que fortaleceu a demissão do técnico Oswaldo de Oliveira e a contratação de Joel Santana. Oswaldo queria dar folga aos jogadores após o 2 a 2 com o Cruzeiro, na semifinal do Campeonato Brasileiro de 2000, em São Januário, e aquilo revoltou Eurico Miranda, o então vice de futebol, que já bufava por, entre outras coisas, o time ter permitido o empate com 2 a 0 no placar. O cartola assumiu o ato sumário e foi para a final, quatro dias mais tarde, com Joel no comando.
Com o troféu conquistado, Eurico se reuniu a sós com os jogadores, já na tarde do dia seguinte, e disse que liberaria alguns titulares do jogo da volta contra o Cruzeiro, dois dias depois, no Mineirão. Sobretudo Romário, que daria vez a Viola. O Baixinho recusou. Queria ter a oportunidade de conquistar um título do Brasileiro e defendeu repetir a escalação daqueles que se sentissem bem. Acabou puxando a fila: Juninho Paulista, Jorginho, Júnior Baiano… ninguém quis ficar fora.
Naquele encontro fechado ecoou então a voz de um “intruso” que, antes mesmo de o cartola bater o martelo, sentenciou: “Doutor, vamos com tudo: o Vasco é para quem acredita”. Era Fernando Lima, o então fisioterapeuta de Romário, hoje conhecido como o popular Zé Colmeia. Eurico reagiu intempestivamente, questionou a presença, frisou que o assunto não lhe dizia a respeito, mas logo afrouxou com a gargalhada geral.
Neste domingo em que o ainda desacreditado time de Fernando Diniz entra em campo para tentar encerrar o jejum de 14 anos sem título nacional, nove de sua última conquista, o lema cunhado há 25 anos une os corações vascaínos. Porque, mesmo surrado com o uso corriqueiro Brasil afora, nunca foi tão importante acreditar que o Vasco pode fazer deste jogo o marco de nova virada histórica.
Que assim seja…
Fonte: Blog Gilmar Ferreira - Extra
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