Vasco não tem bom retrospecto jogando fora de casa ao longo da história

Passada a euforia natural pela vitória sobre o Palmeiras, em casa, na estreia de Renato Gaúcho, o Vasco faz neste domingo, às 20h30, contra o Cruzeiro, no Mineirão, seu primeiro jogo como visitante sob o comando do novo técnico. Um confronto com ares desafiadores para as pretensões do time no Brasileiro, porque desde o retorno à Série A, em 2023, o clube não consegue se mostrar competitivo em campos alheios. E os números confirmam a deficiência: fora de São Januário, o Gigante da Colina perdeu 35 (59,3%) dos últimos 59 confrontos, e só somou 48 (27,1%) dos 177 pontos disputados.

Em média, é como se o Vasco, sem o mando, perdesse 11, empatasse quatro e vencesse outras quatro das 19 partidas que faz em cada edição da primeira divisão do Brasileiro. Foi assim nas três últimas e este ano o time já perdeu as duas disputadas. E reparem que não é exclusividade deste ou daquele treinador. Maurício Barbieri foi derrotado em 50% dos seis confrontos como visitante e somou apenas 27,7% dos pontos; Ramón Díaz perdeu sete dos 14 (50%) e fez 26,1%; e Fernando Diniz, nove dos 15 (60%), com 31,1% dos pontos.

Para se ter uma ideia, o jovem Rafael Paiva que dirigiu o time do Vasco por 27 partidas em 2024, promovido interinamente, depois efetivado no cargo, teve aproveitamento parecido com os demais: perdeu oito (57%) dos 14 como visitante e somou 28,5% dos pontos. Os outros, aqueles interinos ou com passagem rápida, oscilaram entre 50 e 0% de aproveitamento dos pontos. Ou seja: a questão não me parece relacionada só a padrões táticos ou capacidade técnica dos jogadores. E acho que a neurociência poderia ajudar.

Há como se ter um olhar mais otimista? Sim. Renato Gaúcho não tem um elenco dos mais robustos, com jogadores experientes e vitoriosos, mas, a partir do trabalho deixado por Fernando Diniz, tem como montar um time mais competitivo. O Vasco fez duas boas edições da Copa do Brasil em 2024 e 2025, ficou entre os dez primeiros no Brasileiro de 2024, e esteve a uma cobrança de pênalti da recente final do Campeonato Estadual. Sem falar na capacidade regeneradora oferecida pelas divisões de base.

Dos treinadores contratados pelo clube cruz-maltino desde 2023, Renato Gaúcho é o que tem o menor índice de derrotas como visitante (44%) e o maior percentual de aproveitamento dos pontos (39,8%) fora de casa. Eis então em quem confiar: uma vitória em Belo Horizonte reconecta o sentimento.

Fonte: Coluna Futebol Coisa & Tal/Gilmar Ferreira - Extra

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