'Vasco contorna seus limites com espírito de luta'
Quando Hugo Moura, no último lance do jogo, aproveitou o cruzamento de Carlos Cuesta para mergulhar na área rubro-negra e anotar o empate no clássico contra o Flamengo, decretava também uma espécie de correção no placar. Porque, dentro de sua proposta de jogo, o Vasco havia igualado o poderio flamenguista em significativo recorte da partida, e por fim a superação anímica do time cavou um empate que merece, sim, ser comemorado.
Buscar a igualdade após estar dois gols atrás, diante de um adversário tecnicamente muito superior, é uma prova de que o time de Renato Portaluppi faz da fortaleza mental um dos seus principais predicados -- e esta é uma característica marcante nos trabalhos do técnico. Mesmo no primeiro tempo, quando tudo parecia ruir após o gol marcado muito cedo por Pedro, em nenhum momento o time vascaíno abdicou de competir. Em nenhum momento, negociou sua postura -- e por isso jamais esteve contra as cordas no gramado do Maracanã.
Vasco x Flamengo — Foto: André Durão
Houve erros, é claro. Mais do que o recomendável, inclusive. A opção por um time de maior potência física na primeira etapa acabou comprometida por alguma instabilidade coletiva e, principalmente, por equívocos individuais -- Paulo Henrique falhou nos dois gols rubro-negros, enquanto Brenner tomou decisões erradas no setor ofensivo.
O Vasco sobreviveu aos seus piores momentos, e o maior pecado flamenguista foi justamente deixar o rival de toda a vida vivo (e arisco) durante o segundo tempo. O time de Renato passou a ganhar a maioria dos duelos individuais e começou a executar uma urgente sequência de cruzamentos, até que Robert Renan cabeceou um galão de gasolina para transformar a modesta fagulha em labaredas cruz-maltinas.
Após um começo avassalador, com três vitórias e um empate (com direito à virada épica diante do Fluminense), o trabalho de Renato passa por um momento de oscilação. Nos últimos seis jogos pelo Brasileiro, apenas uma vitória. Mesmo que se possa lamentar alguns resultados e o desfecho de determinados jogos, o somatório parcial parece mais próximo ao potencial do time, que tem bons nomes, mas apresenta lacunas perceptíveis -- a defesa, por exemplo, vem sendo um ponto de extrema fragilidade desde o começo do ano.
No momento, a fuga do rebaixamento é uma briga de foice no escuro. O décimo colocado (Botafogo) tem apenas dois pontos a mais que o primeiro do Z4 (Corinthians). Entre eles, apenas cachorro grande, ainda que a mordida hoje deixe a desejar -- Atlético-MG, Inter, Vasco, Grêmio, Cruzeiro e Santos. É quase certo que, nas rodadas decisivas, algumas camisas pesadas ainda vão estar esperneando contra a queda, movidas sobretudo por agonia e desespero.
A principal missão do Vasco, portanto, é construir uma campanha confortável, para depois poder nutrir ambições maiores. Se o time apresenta deficiências (e creio que nem o mais otimista dos vascaínos discorda disso), também é visível que poucos adversários apresentam tanto espírito de luta e capacidade de encarar situações adversas. O ponto de ontem foi valioso, mas a postura mostrada no empate com gosto de resistência é o que vai sustentar o Vasco daqui para frente.
Fonte: Blog Meia Encarnada
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