Rodrigo Mattos: Como os conselheiros veem o Vasco sobre acordo com Lamacchia
O Vasco está sob escrutínio após divulgar o contrato de venda da SAF para a Almirante S/A, empresa ligada a Marcos Lamacchia. Conselheiros da oposição levantaram preocupações sobre a falta de transparência e o impacto das mudanças propostas no estatuto do clube.
A votação no Conselho Deliberativo, marcada para esta terça-feira, decidirá se o negócio será aprovado. A proposta inclui a aquisição de 90% das ações da SAF pela Almirante S/A, que promete investir R$ 500 milhões no futebol ao longo de cinco anos, além de construir um centro de treinamento e assumir uma dívida de R$ 1,5 bilhão.
Entre os pontos polêmicos, está a escolha do conselheiro do Vasco que integrará o Conselho de Administração da SAF. Este será indicado pelo investidor, o que segundo críticos limita a fiscalização do clube. Já a Almirante S/A defende que essa medida evitará interferências políticas na gestão.
Outro ponto em debate é o aporte financeiro. O valor prometido não possui datas específicas para ser desembolsado, apenas um prazo total de cinco anos. Isso gera incerteza sobre quando os recursos estarão disponíveis.
A redução da participação do Vasco na SAF para 10% também foi questionada. Conselheiros argumentam que o clube deveria receber compensação financeira pela venda dos 20% adicionais em relação ao acordo anterior com a 777.
Além disso, o contrato prevê o uso do estádio São Januário até 2030 por R$ 3 milhões mensais, valor que pode cair para R$ 2 milhões caso haja reformas. A cessão integral da marca sem pagamento de royalties ao clube também gerou críticas.
Por fim, a ausência de direitos assegurados para sócios proprietários quanto ao acesso a ingressos preocupa conselheiros, pois pode impactar negativamente nas finanças e na adesão associativa do clube.
As informações foram publicadas pelo jornalista Rodrigo Mattos em seu blog no UOL Esporte.
O Vasco associativo fica em posição vulnerável diante do investidor Almirante S/A - de Marcos Lamacchia - pelas condições do acordo para venda da SAF.
Essa é a análise de conselheiros vascaínos de oposição após leitura do contrato de investimento para a venda da SAF à Almirante S/A, empresa do entediado de Leila Pereira. Há ainda reclamação por parte dos documentos do acordo ter sido disponibilizado apenas na véspera da votação. Pedidos de adiamento foram rejeitados pelo Conselho.
Já o presidente do Vasco, Pedrinho, tem exaltado a parceria e a possiblidade de grandes investimentos na SAF.O Conselho Deliberativo do Vasco vai votar nesta terça-feira pela aprovação ou não do negócio, que já passou por leilão na Justiça. Além disso, vai decidir sobre mudanças estatutárias para facilitar a venda.
Pelas condições do acordo, a Almirante S/A vai adquirir 90% das ações da SAF do Vasco. Isso representa um percentual maior do que a antiga dona, 777, que detinha 30% da SAF anterior.
Em troca, vai investir R$ 500 milhões no futebol em cinco anos, construir um CT moderno, cobrir déficit de cinco anos e assumir a dívida de R$ 1,5 bilhão.
Vamos aos pontos questionados pelos conselheiros com contraponto de envolvidos na negociação da SAF.
1) Há uma proposta de mudar o estatuto do Vasco para permitir que um conselheiro do clube participe do Conselho de Administração da SAF, que terá três membros. Só que esse conselheiro do associativo será escolhido pelo próprio investidor, no caso a Almirante S/A. Não há membro do clube no Conselho Fiscal da SAF.
- Conselheiros argumentam que isso tira o poder do clube de fiscalizar de fato já que o escolhido será uma pessoa já alinhada ao investidor. Assim, entendem que pode se repetir o que ocorreu com a 777 quanto o clube não tinha influência quando a empresa descumpria o acordo.
- Da parte da Almirante, argumenta-se que o objetivo é tirar mesmo a interferência da política do clube da gestão da SAF. E, no caso da 777, entende-se que o problema é que a ex-sócia da SAF não permitia ao representante do clube ter acesso a informações e dados.
2) O valor de R$ 500 milhões de aporte no futebol não tem datas específicas para ser efetuado. Apenas tem que ser cumprido em cinco anos. E está dito nas condições que haverá desconto do valor emprestado pela Almirante S/A no processo de Recuperação Judicial. Isso pode representar um desconto entre R$ 40 milhões e R$ 190 milhões.
- Conselheiros alegam que as condições sobre o desconto dos empréstimos não estão tão claras e podem levar à interpretação de descontar os dois empréstimos da Almirante - não o da Crefisa que vira ações. Assim, poderia chegar a um desconto de R$ 190 milhões sobre os R$ 500 milhões.
Outro ponto é que, sem datas específicas para aporte, o clube perde o controle sobre quando entra o dinheiro.
- Na Almirante S/A, a alegação é de que apenas o segundo empréstimo - de R$ 40 milhões - será descontado do total. Ou seja, o total cai de R$ 500 milhões para R$ 460 milhões. Na empresa, entende-se ser suficiente que o prazo seja de cinco para os investimentos. Em entrevista ao Canal do Igor Rodrigues, o presidente do Vasco, Pedrinho, afirmou que vê vontade do investidor de colocar mais dinheiro do que esse mínimo.
3) O Vasco reduz sua participação na nova SAF para 10% (com a Almirante), antes tinha 30% com a SAF da 777. No documento ao Conselho, fala-se em garantir os direitos do clube de controle sobre a empresa. Mas 10% é o mínimo previsto em lei.- Para conselheiros, o Vasco deveria ser remunerado pela venda de 20% já que o aporte de R$ 500 milhões e dinheiro para o CT são investimento na própria SAF.
- Da parte da Almirante, alega-se que o valor total previsto no acordo é muito bem pago para compra da SAF do Vasco. Isso inclui os R$ 500 milhões de aporte, mais a construção do CT, mais assumir déficit de cinco anos com até R$ 1,5 bilhão de aporte, além de se tornar responsável pela dívida de R$ 1,3 bilhão.
4) contrato de São Januário é só até 2030. O aluguel é de R$ 3 milhões por mês, mas pode ser reduzido para R$ 2 milhões em caso de reforma.
- Conselheiros não entenderam porque o uso de São Januário só está previsto até 2030 e não em prazo mais longo e veem uma dúvida para o futuro. Apontam ainda falta de detalhamento das condições do uso do estádio, tendo apenas o valor e o prazo.
5) Marca é cedida integralmente à nova SAF. Vasco só tem direito de explorar gratuitamente sem pagar royalties. Não recebe pela marca. A cessão integral da marca é comum em processos de SAFs, mas, em alguns casos, há pagamento de roylaties ao associativo.
6) Sócio proprietário não tem direito assegurado de acesso a ingresso.
- Conselheiros de oposição lembram que isso impactaria diretamente na renda do clube, já que, sem direito a ingresso, haverá menos interesse em associação e portanto cai a arrecadação do clube. Houve uma migração recente de pessoas do sócio-torcedor gigante para proprietário por condições mais favoráveis. Mas houve estranhamento que, neste momento, o site do clube caiu e interrompeu adesões.
Fonte: SuperVasco
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