Rival: Técnico do Maricá se rende a Diniz e projeta duelo contra o Vasco

Surpresa do início do Carioca no ano passado, o Maricá chega para a segunda disputa da Série A estadual com caras conhecidas, como Wellington, ex-São Paulo, Vasco e Fluminense, e Rafael Foster, ex-Botafogo. No banco de reservas, o ex-atacante Reinaldo vai para a quarta temporada à frente do Tsunami, apelido do caçula do Carioca.

Em entrevista ao ge às vésperas da estreia no centro de treinamento de Várzea das Moças, que já serviu ao Botafogo e está alugado ao Maricá por um ano - o futuro centro de treinamento está em obras -, o treinador de 46 anos destacou a importância da chegada de reforços e elogiou bastante o rival de quinta-feira, o Vasco, do técnico Fernando Diniz e do coordenador Felipe Maestro, um ex-companheiro que lhe abriu as portas da recente nova carreira à beira do gramado.

Ano passado, o Maricá liderou o Carioca nas cinco primeiras rodadas e perdeu a invencibilidade em São Januário. Terminou em 10º. O que esperar do Maricá em 2026, pegando de cara o Vasco, novamente como visitante?

Significa muito para mim, como treinador, fazer o segundo ano consecutivo à frente do Maricá. É meu quarto ano seguido aqui. Eu acho que a gente vai estar mais experiente, mais cascudos (esse ano). Ano passado, iniciamos muito bem a competição. Depois tivemos uma queda que é até normal. Os times também começaram a evoluir e exatamente em São Januário foi a nossa primeira derrota. É muito difícil jogar em São Januário, o Vasco tem uma torcida que incentiva do primeiro ao último minuto e a gente sabe da pressão que é jogar ali. Mas tenho certeza que fizemos uma excelente pré-temporada e vamos fazer um grande jogo lá, uma grande estreia.

Como treinador profissional sua carreira é bem recente, são cinco para seis anos. Como vive essa nova etapa de vida?

É uma carreira que eu escolhi por causa do amor, do prazer de estar na beira do campo, de poder ensinar os meus atletas. Eu aprendi muito com os treinadores que eu que eu trabalhei. Cito Zagallo, o Vanderlei Luxemburgo, Carlinhos, Oswaldo de Oliveira, Zico... Resolvi ser treinador por causa disso. A vida é outra, né? Eu via como eles eram. Você já não tem mais aquela noite de sono inteira, no meio da noite você acorda, quando você tem uma ideia, para fazer uma anotação. Quando vai ver, não consegue mais dormir. Você vive o clube praticamente 24 horas, são 24 horas pensando em melhorar a equipe, mas é muito bom. A gente sabe da pressão que é, mas a minha vida desde o início sempre foi de muita pressão. Estou muito preparado para essa para essa nova função e muito feliz também e sempre buscando conhecimento para todo dia tentar evoluir.

Você vai enfrentar Fernando Diniz, um dos treinadores mais falados no Brasil. É a primeira vez?

É a primeira vez. Fernando Diniz, para mim, é uma referência no futebol brasileiro. Um dos melhores treinadores do futebol brasileiro disparado. Você vê o time do Fernando Diniz, vê ali a ideia bem clara, o modelo de jogo bem claro: esse é o time do Fernando Diniz. Um modelo de jogo muito bem definido, sabe o que fazer em todas as fases do jogo. Então para mim vai ser um orgulho enfrentá-lo. Poder jogar contra um gigante do Futebol brasileiro, por isso eu peço aos meus atletas para aproveitar esse momento.

Você tem uma ligação também com o Felipe, hoje coordenador do Vasco. Como foi isso?

O Felipe Maestre é um cara que eu sou muito grato. Foi o primeiro cara que me indicou para o sub-15 do Bangu. Ele era o treinador do profissional do Bangu e me indicou para o sub-15. E o engraçado é que nós nunca jogamos junto. Tivemos um encontro casual, no supermercado até. Ele perguntou o que eu estava fazendo, eu falei que tinha tirado a licença da CBF Academy e estava esperando a oportunidade e ele me indicou. Então, um cara que eu tenho muita gratidão, um cara que me ensinou muito também. Fiquei um ano no sub-15, depois no sub-20. Fiz parte da comissão dele no Bangu numa pré-temporada como auxiliar, onde eu aprendi muito.

Qual a meta que o Maricá traçou para esse ano?

A gente disputa o Carioca, a Série D e depois a Copa Rio. A meta é ficar entre os quatro do Carioca. Mudou o calendário, é um campeonato muito traiçoeiro porque são só seis jogos. Então você tem que obrigatoriamente ficar entre os quatro, porque se você não ficar entre os quatro, vai para o "quadrangular da morte". Queremos a primeira colocação, se não der a segunda e a terceira e a quarta. Ficar no G4 da primeira rodada até a última rodada. É o objetivo do clube. Estou muito feliz com o meu elenco que foi montado também, eu tenho certeza e estou muito confiante que a gente vai conseguir nosso primeiro objetivo da temporada que é primeiramente classificar entre os quatro e depois a gente vê o que que a competição nos oferece.

Você citou grandes treinadores. O que pegou mais de cada um?

O Vanderlei era um cara muito focado na parte tática. Eu sou um cara também que foco muito nisso aqui. Aprendi muito isso com o Vanderlei. O Zico já era um cara muito detalhista. Cobrava muito do atacante ficar atento ao rebote do goleiro. Zagallo e o Oswaldo de Oliveira são pessoas também importantes na minha carreira porque era bons de gestão de vestiário e também da parte tática. E o Carlinhos foi meu primeiro treinador e esse eu não eu não posso esquecer. Ele tinha aquela experiência para lidar com com o vestiário no momento de crise e eu acho que o treinador tem que saber gerir crise. Ele era um cara expert nisso aí. Número um para resolver crise. Peguei um pouquinho de cada e criei a minha identidade.

Hoje sou aquele cara com muita energia na beira de campo, um time muito bem organizado, um time equilibrado, um time que sabe o que fazer na hora de atacar, na hora de defender e tento ser bem assertivo nas orientações ali no intervalo do jogo, durante o jogo. Coisa bem pontual. Não sou aquele jogador que fica passando muita informação para o atleta durante o jogo, porque eu acho que isso também confunde o cara. Mas sou aquele treinador que gosta de ensinar, que eu acho que esse é o papel do treinador: ensinar o atleta, ajudar a melhorar a tomada de decisão no dia a dia com os treinamentos.

Como você falou, hoje o seu grupo é mais experiente. Como ele foi formado?

Tem atletas que estão indo comigo para a quarta temporada, outros na terceira. Então, isso ajuda muito, facilita muito o meu trabalho ter essa base. Por já entenderem o meu modelo de jogo, a ideia de jogo. Esse ano nós estamos com um grupo muito equilibrado, com atletas mais experientes, mais vividos, juntando com a molecada mais jovem, do sub-20. Contratamos o Wellington, que tem bagagem de Libertadores, campeão de Copa do Brasil. Temos o Dida, Sandro, que já vêm ajudando. Temos o Pablo, nosso centroavante, nosso artilheiro também. Um cara que a cada ano evolui. Para mim vai ser um dos destaques do Campeonato Carioca.

Grava esse nome: Pablo Tomás. Ele tem 25 anos, está aqui há 3 anos. Saiu do Coritiba, tem passagem pela base do Santos. Um atacante de mobilidade, de muita competitividade. Tem o cheiro do gol. Tem 25 gols com a camisa do Maricá e mais oito assistências. Tem tudo para ser um dos nossos destaques. Esse é o campeonato de afirmação dele.

Fonte: ge

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