Por que a carta de Lamacchia é tão importante para o futuro da SAF do Vasco
A recente carta do investidor Marcos Faria Lamacchia trouxe à tona detalhes importantes sobre a futura SAF do Vasco. No documento, Lamacchia menciona a UPI Equity, uma estrutura que permite a venda dos ativos do clube em um processo competitivo, conferindo maior segurança jurídica aos investidores.
O plano é criar uma Nova SAF, onde os ativos do futebol serão reunidos e vendidos como UPI Equity. Isso atrai investidores por ser um processo mais seguro e juridicamente atrativo. Lamacchia, após dois anos de negociações com o Vasco, afirma que todos os aspectos necessários estavam definidos, aguardando apenas a assinatura dos contratos quando uma intervenção judicial interrompeu o avanço.
Na carta, ele também se posiciona como stalking horse bidder, ou seja, o primeiro a fazer uma oferta vinculante pela UPI Equity. Isso estabelece um valor mínimo para futuras propostas no processo competitivo. Mesmo diante das interrupções judiciais e alterações na governança da SAF, Lamacchia não desistiu e mantém interesse em adquirir 90% da Nova SAF.
Contudo, ele condiciona o fechamento dos contratos ao retorno da governança anterior e à correção de possíveis irregularidades apontadas por autoridades. O caminho ainda exige passos previstos no Plano de Recuperação Judicial e superação de desafios jurídicos. A disputa com a 777 é um desses obstáculos.
A declaração formal de Lamacchia ao Judiciário adiciona um novo componente ao processo: há interesse claro em prosseguir com a negociação já estruturada.
As informações são do Podcast Cruzmaltino, no X.
A menção à UPI Equity (Unidade Produtiva Isolada de Participações) é o ponto-chave que conecta juridicamente a proposta de Marcos Lamacchia ao imbróglio da SAF.
Na engenharia jurídica desenhada pelo Vasco e pelo investidor, a compra das ações da SAF não seria feita de forma direta e convencional, mas sim por meio da criação de uma UPI dentro do processo judicial. Entenda o porquê dessa estratégia:
Blindagem contra as dívidas da 777
A 777 Partners enfrenta uma enxurrada de processos, bloqueios e acusações de fraude no exterior e no Brasil. Se Lamacchia comprasse as ações diretamente da empresa americana, correia o risco de ver o dinheiro penhorado ou o negócio contestado por credores internacionais da 777. Ao isolar essas ações em uma UPI Equity aprovada pela Justiça, o investidor adquire o controle do Vasco da Gama de forma "limpa" e blindada contra os problemas fiscais e jurídicos dos antigos donos.
Dinheiro direto no cofre do clube
Através desse modelo, o aporte bilionário prometido por Lamacchia vai direto para a estrutura do Vasco (para investimentos no futebol, pagamento de dívidas cíveis e modernização), em vez de ir para o caixa da combalida empresa americana.
O impasse com a decisão da 6ª Vara
A estratégia da UPI Equity explicada na carta de intenções tinha como objetivo mostrar à juíza Dra. Simone que o Vasco já tinha uma solução jurídica perfeita e segura para substituir a 777 de vez. Como a juíza negou o pedido de reconsideração hoje e manteve o interventor judicial Athos de Andrade, o plano da UPI Equity fica temporariamente "congelado" na primeira instância, aguardando para ver se o Tribunal de Justiça dará o efeito suspensivo que valida a autonomia de Pedrinho para seguir com o negócio.
Fonte: SuperVasco
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