Os planos da CBF para a liga única do futebol brasileiro
‼️"O árbitro veio aqui e nos roubou dentro da nossa própria casa". A CBF quer abolir esse tipo de discurso usado pelo zagueiro David Duarte, do Bahia, para contestar o resultado do jogo contra o Palmeiras.
E um meio para isso é o debate a respeito da liga única e dos pontos relativos ao produto que podem ser aprimorados por toda a cadeia do futebol brasileiro.
Não que a arbitragem seja perfeita. Mas a entidade apontou aos clubes na reunião de ontem que a percepção de valor para o campeonato precisa vir com participação deles. E as palavras, para a CBF, têm poder.
A entidade já percebeu em pesquisas que há uma parcela dos torcedores deixando de assistir aos jogos porque perdeu a confiança na arbitragem.
Para a CBF, há muitas falas que associam erro a uma suposta má intenção dos árbitros. Consequentemente, isso gera a percepção do público sobre falta de qualidade e confiabilidade.
No universo ideal defendido pela CBF junto aos clubes, as críticas muito acima do tom devem, inclusive, render punições que viriam de um tribunal administrativo — não necessariamente do STJD.
Essa crítica/preocupação no contexto da liga faz parte do item que aborda a análise do tempo de bola em jogo no Brasileirão e a necessidade de ter um espetáculo mais fluído.
Na comparação com Inglaterra, Espanha e Alemanha — as top 3 ligas do mundo —, o Brasil é quem registra o maior número de cartões amarelos e vermelhos, mais faltas por jogo e a duração mais longa de intervenção do VAR. Ao fim das contas, a menor aprovação da arbitragem pelos torcedores.
A CBF fez questão de ressaltar que "o jogo também é responsabilidade dos clubes. E não só da arbitragem".
Por isso, apontou que as simulações e o antijogo são decisões dos atletas. Alertou também que pressão institucional influencia o comportamento em campo e que a cultura da reclamação afeta decisões e tempo de jogo.
Há ainda críticas ao comportamento das comissões técnicas no banco de reservas. Nesta semana, o técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, será julgado duas vezes em um mesmo dia no STJD por expulsões no início de Brasileirão.
"Com o Palmeiras é sempre assim. Todas as vezes que o Palmeiras vence, é 'escândalo', arbitragem. Eu, presidente, não reclamo de arbitragem. A presidente não reclamou do resultado da final da Libertadores. Nunca terceirizo responsabilidade. 'Nossa, Leila, você falando de dirigentes que reclamam da arbitragem. E o seu treinador?' Ele é punido, tem cartão para ele, pode ser julgado. E os dirigentes e treinadores que reclamam e não acontece nada? Isso é injusto. Eu queria que tivesse punição também para dirigentes e jogadores que desrespeitassem arbitragem em entrevistas", disse Leila Pereira, presidente do Palmeiras, depois da reunião entre clubes e CBF.
Fonte: UOL Esporte
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