Gilmar Ferreira, sobre Diniz: 'Algo mais robusto precisa ser feito'
Tida como manifestação de descontentamento ao futebol apresentado pelo time do Vasco no 0 a 0 desta segunda-feira (2), em São Januário, as vaias ao técnico Fernando Diniz são compreensíveis e aceitáveis. Ainda que acompanhadas de adjetivações exageradas com as quais não concordo. Mas o importante agora é medir o impacto que essas reações presenciais e virtuais podem ter no ano de um time ainda em formação. O Vasco, esse medíocre Vasco que há mais de uma década assombra os torcedores com sua falta de energia, incapaz de manter o nível de competitividade em patamar aceitável, está sendo renovado - mais uma vez. E isso, com Guardiola, Klopp, Paiva ou Diniz, demanda tempo. Ou alguém, em sã consciência, achou ou ainda acha que sem Rayan e Vegetti o time teria o desempenho esperado em uma ou duas semanas? E em meio a um calendário que está deixando em maus lençóis todos os treinadores em atividade por aqui… Diniz irrita com suas escolhas e narrativas, como irritou todos os antecessores no cargo, alguns que não tiveram sequer a chance de fazer mais do que 20 jogos. O atual treinador do Vasco já tem 48 e está no meio de um trabalho de reconstrução. E não é só reconstrução do time: é do modelo, do padrão, da identidade, da dignidade, da empatia… e tudo isso sem dinheiro, sem bons resultados, sem um executivo focado em escora-lo nos momentos mais difíceis… e agora, inclusive, sem um goleador que vista a capa de super-herói e disfarce o mau desempenho do time. Ou seja: olhando para a “cauda longa” dessa relação entre técnicos e torcida do Vasco, reservo o direito de recomendar um pouco de cautela. Porque a narrativa é a mesma: de um lado, a massa fiel, engajada e apaixonada querendo ser feliz como foram os vascaínos com mais idade; do outro, profissionais competentes, trabalhadores e empenhados em entregar com qualidade a cota-parte que lhes cabe nessa missão de reerguer um dos clubes mais populares do país. Não sei se a diretoria pensa em trocar o treinador em meio a este processo, como desejam alguns torcedores. Varrer a sujeira para debaixo do sofá serve apenas para fingir que a casa foi arrumada. Algo mais robusto precisa ser feito para evitar que o trabalho de Fernando Diniz seja triturado pela cultura do descartável.
Fonte: X do jornalista Gilmar Ferreira - EXTRA
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