ge prepara 'FAQ' explicando sobre a SAF do Vasco

A venda da SAF do Vasco para o investidor Marcos Lamacchia ainda gera algumas dúvidas no torcedor vascaíno. Quem é o Marcos? Em que pé está a negociação? Quando vai acontecer? Essas e outras são algumas das perguntas mais feitas por torcedores.

Por isso, o ge preparou um FAQ para o torcedor do Vasco tirar todas as suas dúvidas em relação à venda da SAF vascaína.

Quem quer comprar a SAF do Vasco? De onde vem a fortuna do investidor?
O investidor interessado em comprar o futebol do Vasco é Marcos Faria Lamacchia. O empresário é filho de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, com Junia Faria, uma das herdeiras do Banco Alfa.

Marcos é empresário e tem uma carreira independente no mercado de investimentos.

Qual é a relação entre a família Lamacchia e Pedrinho?
Há uma amizade antiga entre Pedrinho e José Roberto Lamacchia. O dono da Crefisa tentou comprar a SAF do Vasco no início de 2024. As negociações se arrastaram, mas não houve acordo com a 777 Partners. Desde então, entre idas e vindas, a negociação esquentou e tomou forma no fim do ano passado, com o interesse de Marcos Lamacchia, filho de José Roberto, na SAF vascaína.

Leila Pereira faz parte da negociação?
Não. A presidente do Palmeiras não negocia com o Vasco. O negócio é feito por Marcos Lamacchia e tem José Roberto Lamacchia como avalista da operação. Em entrevista ao ge, ele disse que Leila, futuramente, pode ajudar o Vasco, mas apenas depois que ela terminar o mandato no Palmeiras.

— Ela pode ajudar o Vasco. Pode ser que sim, pode ser que não, são coisas para o futuro. Mas tudo isso, claro, depois que ela terminar o mandato no Palmeiras, aí já não vai ter mais nenhum vínculo com o Palmeiras. Ela não pode participar disso porque está envolvida 200% no Palmeiras.

Por que a demora na negociação?
Em entrevista ao ge, André Sica, representante jurídico da família Lamacchia, afirmou que as idas e vindas do processo atrapalharam o Vasco e as negociações.

— Eu acho que as idas e vindas dentro da política do Vasco atrapalharam muito, interromperam muito o processo. O processo mudava muito ao longo do tempo, isso foi ruim, foi desgastante. Por isso que a gente fala que o grande mérito do Pedrinho foi manter o Marcos nessa mesa, porque não é mentira e não é segredo para ninguém que o Marcos e nós quase deixamos essa mesa algumas vezes. Porque foi uma mesa itinerante, foi uma mesa conturbada durante esses dois anos e meio. Mas finalmente, acho que depois dessas idas e vindas, a gente concluiu o processo e assinou um acordo de investimento.

Quanto o Vasco pode receber com a venda da SAF?
A proposta de Marcos Lamacchia é:

O que acontece com as dívidas do Vasco em caso de venda?

As dívidas são assumidas por Marcos Lamacchia e serão pagas de acordo com a previsão de pagamentos acordada na recuperação judicial da SAF. Em reunião nesta semana, Marcos Lamacchia se comprometeu a garantir e antecipar os recursos necessários para o pagamento das obrigações da Recuperação Judicial do Vasco previstas para os próximos dois anos.

Em que ponto está a venda da SAF do Vasco?
A venda da SAF ainda não foi concluída. O processo está avançando e existe atualmente uma proposta concreta da Almirante Participações, empresa de Marcos Lamacchia, que servirá como referência mínima para o processo competitivo.

A ideia é abrir um processo para que outros interessados possam apresentar propostas. Caso alguém ofereça um valor superior, Marcos Lamacchia terá direito de igualar a maior proposta.

Quais são os próximos passos?
Esse processo competitivo termina com a apresentação de propostas de terceiros. Se não houver uma proposta de terceiro vencedora, a proposta do Marcos é declarada vencedora, e o juízo declara a arrematação da unidade produtiva. A partir disso, a proposta passa pelo Conselho Deliberativo do Vasco e pela Assembleia Geral para constituir a nova SAF do Vasco.

Quem está no controle da SAF do Vasco atualmente?
A SAF do Vasco está sob controle da gestão do clube social, comandada por Pedrinho. A estrutura acionária, porém, está dividida: a 777 possui 31% das ações, o Vasco tem 30%, e os outros 39% estão em disputa na arbitragem.

Existe outro interessado na compra da SAF?
O processo é competitivo e outros investidores terão a oportunidade de apresentar propostas. Não se sabe, porém, a existência de um concorrente.

A Justiça pode impedir ou autorizar a venda da SAF?
A Justiça exerce papel central no processo da SAF, inclusive porque o Vasco está em recuperação judicial.

Qualquer movimento vindo do clube deve ser fiscalizado e aprovado por um administrador judicial, "watchdog" do clube, "watchdog" do administrador judicial, Ministério Público, magistrada e ANRESF (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), órgão da CBF.

O que é um watchdog?
É um fiscalizador, pedido pela Justiça, cujo papel é avaliar as questões de governança e finanças da SAF, além de receber documentos e apresentar relatórios sobre o clube para a Justiça.O cargo é ocupado por Athos Neves.

O que é um gatekeeper?
É o cargo de fiscalização e monitoramento nomeado pela Justiça no processo de recuperação judicial do clube. A função é exercida pelo ex-procurador-geral de Justiça Eduardo Gussem.

O que é um empréstimo DIP?
O empréstimo DIP (Debtor-in-Possession) é um tipo de crédito para empresas que estão em recuperação judicial. Ele serve para injetar dinheiro novo no caixa e permite que o negócio (o Vasco, neste caso) continue funcionando enquanto paga suas dívidas antigas.

Para que servem os empréstimos do Vasco antes da venda da SAF?
Até agora, o Vasco realizou dois empréstimos DIP e pediu mais um à Justiça, que negou duas vezes o pedido. No ano passado, o clube abriu um processo competitivo, vencido pela Crefisa, empresa de José Lamacchia, pai de Marcos, que emprestou R$ 80 milhões ao Vasco em melhores condições à SAF para fluxo de caixa. Este empréstimo será perdoado por Marcos Lamacchia, que assumirá a dívida caso seja o novo dono da SAF do Vasco.

Em 2026, o Vasco pegou mais um empréstimo, desta vez já com a Almirante Participações, empresa de Marcos Lamacchia, no valor de R$ 40 milhões. Este empréstimo será contado no futuro como fluxo de caixa, caso a venda da SAF seja realizada.

Agora, o Vasco pediu R$ 150 milhões em empréstimo para a Almirante Participações. Este dinheiro seria como uma antecipação de aporte. Por isso, Pedrinho defende que a Justiça acelere o processo da venda. Assim, empréstimos não são mais necessários.

Por que a Justiça negou?
A Justiça pede que haja uma nova auditoria financeira antes de autorizar um novo empréstimo. A juíza Simone Gastesi Chevrand também alega que os R$ 150 milhões seriam concedidos pelo mesmo grupo que apresentou proposta para assumir o futebol do Vasco. Somados aos empréstimos anteriores, os valores chegariam a R$ 270 milhões, o que, segundo a Justiça, pode dificultar a concorrência no processo competitivo e precisa ser melhor esclarecido.

O Vasco afirma que não é contra uma nova auditoria, apesar de já ser fiscalizado pelo Ministério Público, por um watchdog, um gatekeeper e pela administradora judicial. A SAF argumenta que a auditoria e o financiamento têm finalidades distintas, e que o Vasco precisa desse dinheiro de maneira urgente. Um não deveria servir de condição para o outro, argumenta.

Como a trava no empréstimo atrapalha o Vasco neste momento?
Sem o empréstimo, o Vasco se vê impedido de contratar mais reforços nesta janela de transferências. O clube também tem receio de não conseguir arcar em dia com o cronograma da Recuperação Judicial.

Por que há uma guerra entre Pedrinho e BAP, presidente do Flamengo?
O Flamengo acionou a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) para pedir uma análise da situação econômico-financeira do Vasco. O clube rubro-negro diz que, apesar de comunicar dificuldades para cumprir as obrigações e solicitar autorização judicial para a contratação de novo financiamento emergencial, o rival segue atuando no mercado para reforçar o elenco.

BAP já fez diversas declarações sendo contra a venda da SAF do Vasco para Marcos Lamacchia. Pedrinho afirmou que BAP tem “uma paixão louca pelo clube” e o chamou de “mau-caráter, arrogante, soberbo e hipócrita”.

Leila Pereira já ameaçou processar Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, após o dirigente dizer que irá à Justiça caso o enteado da presidente do Palmeiras conclua a compra da SAF do Vasco. A dirigente alegou não ter relação com o processo e atacou o que considera ser um "hiperfoco" do rival.

– Já cansei de dizer que sou presidente do Palmeiras, o meu mandato vai até dezembro de 2027 e eu não tenho absolutamente nada a ver com o Vasco. Eu sei que o Bap não vê a hora de me ver fora do Palmeiras, mas para isso acontecer ele vai ter de esperar até dezembro de 2027.

Fonte: ge

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