Fred Luz terá desafios financeiros e institucionais no Vasco
A Vasco SAF confirmou a nomeação de Fred Luz como novo CEO, substituindo Carlos Amodeo, que ocupava a função há dois anos. Na mesma reformulação administrativa, Ricardo Abreu foi escolhido para assumir o cargo de diretor de operações.
Com trajetória no futebol desde 2013, Fred ganhou projeção nacional durante sua passagem pelo Flamengo. Inicialmente contratado como diretor de marketing, assumiu a posição de CEO em 2014, permanecendo no cargo até 2018.
O período coincidiu com a gestão de Eduardo Bandeira de Mello, marcada por um processo de reorganização financeira que contribuiu para o fortalecimento econômico do clube carioca.
Além da atuação no esporte, Luz teve participação na política. Em 2018, integrou a campanha presidencial de João Amoêdo, do Partido Novo, e, dois anos depois, disputou a eleição para a Prefeitura do Rio de Janeiro, terminando na nona colocação, com pouco mais de 46 mil votos.
Mais recentemente, em 2024, assumiu o comando executivo do Corinthians, mas permaneceu por poucos meses na função, passando posteriormente a atuar como consultor. A relação com o clube paulista foi encerrada em maio deste ano.
A chegada de Fred Luz e Ricardo Abreu ocorre em um momento de transição para o Vasco. A SAF busca um novo investidor após o fracasso da parceria com a 777 Partners, grupo que enfrentou dificuldades financeiras, acusações de fraude e teve ativos bloqueados e colocados em leilão em diferentes mercados.
Paralelamente às incertezas sobre a estrutura societária, o clube enfrenta desafios financeiros relevantes. De acordo com o Relatório Convocados 2026, o Vasco registrou receita total de R$ 570 milhões em 2025, valor 15% superior ao apurado no exercício anterior.
As receitas recorrentes, que desconsideram negociações de atletas, alcançaram R$ 446 milhões, representando crescimento de 41%. Apesar da evolução das receitas, os indicadores operacionais apresentaram deterioração.
O Ebitda total caiu 89%, encerrando o período em R$ 14 milhões, enquanto o Ebitda recorrente ficou negativo em R$ 110 milhões, resultado que representou retração de 120%.
O desempenho operacional foi impactado, entre outros fatores, pelo aumento de 31% nas despesas com folha de pagamento, que atingiram R$ 291 milhões.
Ao final de 2025, a dívida líquida do Vasco somava R$ 843 milhões, uma redução de 17% em relação ao ano anterior. O passivo é composto por R$ 126 milhões em dívidas onerosas líquidas, R$ 312 milhões em obrigações operacionais e R$ 466 milhões em tributos e acordos.
No mesmo período, os investimentos realizados pelo clube recuaram 37%, totalizando R$ 162 milhões. Embora a redução do endividamento seja apontada como um avanço, o Relatório Convocados ressalta que os níveis de alavancagem financeira ainda permanecem elevados.
Fonte: MKT Esportivo
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