Análise: Vasco de Renato Gaúcho domina o Palmeiras de Abel Ferreira
Há mais de 10 anos o Vasco não sabia o que era vencer o Palmeiras. O jejum acabou nesta quinta-feira, em São Januário, com vitória vascaína por 2 a 1, na estreia de Renato Gaúcho como técnico da equipe carioca. Desde 2015, o clube não saía de partida com três pontos contra os paulistas. Mais do que isso: fazia tempo que o torcedor vascaíno não via o time se impor tanto contra uma das melhores equipes do país.
Antes de escrever sobre o desempenho, é preciso ressaltar o resultado do Vasco. O mais importante para o clube de São Januário era vencer, sem importar forma. O Palmeiras era líder do Brasileirão, e o jejum de vitórias — na temporada e contra o rival — pesava contra lado vascaíno.
Torcida e time compraram barulho de Renato Gaúcho. Após 11 dias de trabalho do treinador, a equipe apresentou mudanças relevantes no comportamento em campo e mostrou que pode ter bons resultados no Brasileirão. Basta ser mais equilibrada e errar menos.
O jogo
O Vasco soube neutralizar as forças do Palmeiras e fez valer o mando de campo ao se impor ao adversário desde o primeiro minuto de jogo. Um dos grandes problemas da equipe vascaína era a fragilidade na defesa e a exposição aos contra-ataques dos rivais. Isso não aconteceu em nenhum momento da partida. A equipe esteve bem postada e organizada durante os 90 minutos do confronto.
Apesar da boa atuação vascaína, o Palmeiras saiu na frente em jogada de qualidade e mérito de Flaco López, que também contou com erro individual de Lucas Piton, mal no combate e responsável por dar espaço na marcação. O gol saiu em momento em que o Vasco criava chances no ataque, no embalo de Andrés Gómez, mas sentia falta de mais presença de área para concluir as jogadas.
O primeiro tempo gerou misto de sentimentos na torcida do Vasco. Muitos vascaínos aplaudiram, enquanto outros vaiaram e xingaram Lucas Piton. Renato Gaúcho foi bem ao tirar de campo o lateral, que há algum tempo convive com críticas em São Januário. Melhor ainda para o Vasco e para o treinador que Cuiabano, escolhido como substituto, fez a melhor atuação pelo clube desde que foi contratado.
O Vasco se manteve no campo adversário e criou novas oportunidades com Andrés Gómez pela esquerda. Faltava sempre um pé na área para completar o cruzamento ou o passe.
Com as entradas de Adson e Rojas nas vagas de Nuno Moreira e Tchê Tchê, o Vasco passou a ter mais jogadores no campo de defesa do Palmeiras — fator fundamental para a pressão após a perda da bola e para ampliar as opções de passe. Além disso, a equipe passou a jogar mais por dentro, o que gerou os dois gols vascaínos na partida.
Mansur analisa taticamente segundo gol do Vasco na vitória sobre o Palmeiras
Primeiro, Thiago Mendes fez linda tabela com David para finalizar e empatar o jogo. Dedo de Renato, que apostou no camisa 7 como centroavante. O atacante fez belo pivô para o volante marcar o primeiro gol com a camisa do Vasco.
Depois, Robert Renan achou bom passe para Andrés Gómez na esquerda, que rapidamente tocou para Cuiabano por dentro. O lateral conduziu a jogada, viu a ultrapassagem de Paulo Henrique pelo meio e entrou na área para receber a tabela e finalizar sem goleiro.
Após a virada, a equipe soube sofrer com os cruzamentos do Palmeiras e as bolas paradas. Léo Jardim fez boa defesa em chute de Allan, após sobra de bate-rebate na área. Com Cuiabano, Hugo (depois Barros) e Saldivia na vaga de Cuesta, o time ficou mais competitivo na defesa pelo alto.
O dedo de Renato
Renato Gaúcho teve mérito em todos os aspectos da vitória vascaína em São Januário. O principal deles foi a capacidade de montar equipe competitiva e equilibrada. O Vasco é forte em transição e tem jogadores rápidos na frente para incomodar as defesas adversárias. Por vezes, principalmente em casa, a equipe forçava posses muito grandes em vez de ser mais vertical.
O Vasco se notabilizou por ser time que lateralizava muito os ataques nos últimos anos, devido à presença de área de Vegetti e Rayan em cruzamentos. Sem os dois e com equipe mais móvel, não há essa necessidade. É bom ver que o time pode investir em jogadas pelo centro, com ultrapassagens, tabelas e ataque ao espaço. Faz sentido com atacantes como Gómez, David e Brenner e com jogadores potentes como Cuiabano e Paulo Henrique.
A defesa também merece destaque. Soube jogar em linha alta, como já era costume com Diniz, mas também resistiu em linha baixa e média. Saldivia e Robert Renan foram impecáveis nos duelos pelo alto e ganharam todos os embates individuais.
Renato fez questão de exaltar o grupo na coletiva. Ao recuperar Hugo Moura, Adson e David, o Vasco ganha três reforços que estavam esquecidos no curto elenco do clube. A vitória contra o Palmeiras pode ser divisor de águas na temporada, para afastar o time da lanterna do Brasileirão e dar confiança em início de trabalho que pode dar bons frutos ao torcedor vascaíno.
O Vasco vai com moral para enfrentar o Cruzeiro em Belo Horizonte. Com pressão por resultado do lado dos mineiros, que agora ocupam a última posição, a equipe vascaína ganha confiança para entrar em campo mais leve e tentará voltar com bom resultado do Mineirão. O time já mostrou que isso é possível nesta quinta-feira.
Fonte: ge
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