A história de Ray, emprestado pelo Vasco ao Juventude
O atacante Ray Breno foi o herói da classificação do Juventude às semifinais do Gauchão, ao garantir a vitória, de virada, contra o São José, em jogo eletrizante no Jaconi. Foi o primeiro gol como profissional do jovem de 21 anos, que carrega no currículo uma frustração no Flamengo, mas formação no rival Vasco.
No duelo da última segunda-feira, a comemoração do atacante foi tamanha que recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Assim, desfalcará a equipe no primeiro jogo da semifinal contra o Grêmio.
Ray dedicou o gol ao pai Rosemberg, que extravasava de alegria, ao lado da esposa e de dois filhos no condomínio onde moram no Rio de Janeiro. Ele prometeu visitar Caxias do Sul numa possível final de Gauchão do Juventude.
– Acho que o pessoal do condomínio falou que tinha uns malucos morando aqui, porque foi uma gritaria só. O primeiro gol era o momento mais esperado da gente. Fiquei sem chão, foi uma emoção sem explicação – relatou o pai em conversa com o ge.
Aos 21 anos, Ray está emprestado pelo Vasco até o fim da temporada e é considerado uma joia do clube, com multa rescisória superior a R$ 250 milhões. Natural de Natal-RN, passou por provações no futebol carioca e, em pouco tempo no Juventude, já mostrou ser decisivo.
A promessa ao vô Wilton
Rosemberg é o principal incentivador do filho e também alimentou o sonho de ser jogador. Junto com o pai, percorreu o nordeste atrás de oportunidades, mas precisou abandonar os gramados a partir do nascimento de um dos filhos. Diante da frustração pessoal, prometeu ao "vô Wilton" cumprir o sonho da família com o neto.
Já no leito de morte, sentei com meu pai e falei que não consegui ser jogador de futebol, mas faria isso com o Ray e meu pai, já nas últimas, balançou a cabeça como quem diz, "eu acredito".
— Rosemberg Valentim, pai de Ray Breno
Para tornar o sonho realidade, Rosemberg vendeu todos os bens da família, incluindo o carro e um apartamento recém-comprado em Natal, para levar o filho ao Rio de Janeiro – a esposa iria semanas depois com o irmão.
Aos 10 anos, Ray havia sido aprovado em uma avaliação do Flamengo e teve a promessa de fazer um teste durante seis meses. Porém, ao chegar na cidade, descobriu a troca da comissão técnica do clube. Assim, soube da necessidade de uma nova avaliação.
– Não deu outra, eles liberaram o meu filho na segunda semana. Lembro do rapaz até hoje falar que ele não tinha condição nenhuma de vestir a camisa do Flamengo – contou Rosemberg.
Ray também relembrou os episódios durante a entrevista pós-jogo na segunda-feira, disse guardar na memória a cena com o avô e destacou as dificuldades enfrentadas ao lado do pai.
– Meu pai perguntou se eu queria voltar para Natal, desistir de tudo, e falei para continuarmos. Passamos por perrengues, passamos fome, mas meu pai nunca desistiu. Falava que tudo ia passar – disse Ray.
Do futsal ao Vasco
Por indicação, Ray foi inscrito no time de futsal do Flamengo e, seis meses depois, conseguiu voltar ao futebol de campo, com uma bolsa para treinos no Boavista. Com ajuda de um professor, o jovem fez teste no Vasco e foi aprovado após quatro meses de avaliação.
Do sub-13 ao sub-16, teve poucas oportunidades, mas se manteve resiliente. Conforme o pai, sua baixa estatura era utilizada para justificar as escolhas dos treinadores.
– Para você ter uma ideia como esse moleque sofreu, era sempre a tal da "maturação tardia", a necessidade de esperar um pouco mais. Era sempre isso – recorda Rosemberg.
No sub-17, o jovem assumiu de vez a camisa 10 e, apesar de se tornar figura frequente nos treinos do profissional, teve poucas chances na equipe principal, onde conviveu com Maurício Barbieri, atual técnico do Juventude.
No fim de 2023, lidou com uma grave lesão ligamentar de joelho, que o afastou por cerca de um ano dos gramados. Tão logo do retorno, foi emprestado a Pouso Novo e Nova Iguaçu, antes de chegar a Caxias do Sul no início desta temporada.
Recomeço na Serra Gaúcha
Ray Breno foi utilizado em três partidas deste Gauchão, com uma assistência e um gol, o da classificação às semifinais. Como citado, o primeiro como profissional.
– Trabalhamos no Vasco, ele sempre confiou em mim e nesse resultado adverso, quando estamos perdendo, ele vem, me chama e fala para mudar o jogo. Graças a Deus venho entrando bem, buscando meu espaço e me firmando como atleta profissional – ressaltou o atacante.
Fonte: ge