De saída do Vasco, Alex Evangelista cita distância com Campello

Publicado em 14/04/2018 09:40

Uma das figuras influentes do Vasco na gestão de Eurico Miranda, Alex Evangelista deixou o clube no início do mês. Segundo ele, a decisão foi pela distância que tinha com o novo presidente, Alexandre Campello.

- Desde que o Campello assumiu, eu já tinha ideia de uma resistência ao meu nome. Eu tinha na minha cabeça que eu não tinha o mesmo prestígio com ele para continuar o trabalho, e aí, tão logo recebi um convite, saí. Acho que estava certo, porque tão logo saí, pessoas abaixo de mim foram demitidas imediatamente – explicou.

Foto: Gustavo RotsteinAlex Evangelista na época de Vasco
Alex Evangelista na época de Vasco

A primeira parada de Evangelista foi o Estoril, de Portugal. Mas ele tem novo destino: está acertado para trabalhar no Urawa Red Diamonds, do Japão, e seguirá como consultor da equipe lusitana.

Idealizador do Caprres, o ex-gerente científico cruz-maltino explica nesta entrevista sua relação com a nova gestão, a natureza jurídica do Caprres e seu envolvimento no patrocínio com a Lasa. Confira:

GloboEsporte.com: Por que você decidiu deixar o Vasco?

Alex Evangelista: Durante toda a gestão do Eurico, eu sempre tive alguns convites, mas eu achava que tinha que respeitar o ciclo que me foi dado, tinha responsabilidade de transformar o departamento de saúde do Vasco, que naquela época eu considerava muito abaixo para o tamanho do Vasco, em questão de estrutura. Aceitei o desafio e constituí um trabalho que eu considerava um legado para o Vasco.

Eu declinei vários convites. Tive convite para Dubai, para um time do Brasil. Porque queria continuar. Quando o Campello assumiu, eu tinha na minha cabeça que eu não tinha o mesmo prestígio com ele para continuar o trabalho, e aí, tão logo recebi um convite, saí. Acho que estava certo, porque tão logo saí, pessoas abaixo de mim foram demitidas imediatamente.

Foto: VascoEvangelista com Nenê no Caprres, durante passagem pelo Vasco
Evangelista com Nenê no Caprres, durante passagem pelo Vasco

Houve alguma conversa com o Campello?

Isso foi o que mais me incomodou, porque eu nunca fui solicitado para passar algum relatório, para uma conversa. Talvez ele entenda que a minha alçada é muito abaixo do que ele entende como importante para ter uma conversa. Mas me prontifiquei o tempo inteiro através do doutor Celso (Monteiro, vice-presidente médico). Foi uma pessoa maravilhosa, me recebeu muito bem. Ele escutou diversas vezes, fizemos várias reuniões para mostrar os relatórios, as ações que vinham sendo feitas, me apoiou incisivamente. Eu agradeço publicamente ao doutor Celso.

Você deixa o clube com alguma pendência?

Estou desde dezembro sem receber. Não fui procurado. Eu que notifiquei o clube porque estava saindo.

Como fica a questão do Caprres? Há relatos de que ele foi registrado em seu nome.

O Caprres é do Vasco. Eu torço para que eles incentivem a continuidade. É uma metodologia que facilita a vida dos profissionais e do Vasco, a fim de ter um DNA, seu próprio espaço e laboratório para análises e desenvolvimento de pesquisas. Isso é uma parte que cabe a eles. A mim, nada. Eu não sou dono. Impossível.

Eu tinha uma empresa para receber pelo Vasco. Na época eu coloquei Caprres. É uma empresa jurídica para eu receber o salário. Uma homenagem àquilo que tinha feito. Mas posso mudar o nome.

Houve relatos de que você havia levado equipamentos.

Os equipamentos que eu levei são particulares, portáteis, meus. Assim como hoje o fisioterapeuta tem os equipamentos dele, de uso, que ele confia para trabalhar. Os equipamentos do Vasco são do Vasco. Efetivamente estão lá.

Com sua saída, houve mudança de metodologia no trabalho, com a chegada de novos profissionais. Você tem acompanhado?

Você que está me informando que mudaram a metodologia. É uma pena. Eu queria que o Caprres persistisse. Respeito quem manda no clube achar que o organograma tem que mudar, isso é questão conceitual.

No que diz respeito ao que vinha sendo feito, nós tivemos muito mais resultados positivos do que negativos. Ranqueamos entre os primeiros clubes do Brasil com o menor número de lesões. Acho que, se muda o protocolo, uma temeridade, porque alinhar e mudar algumas coisas conceitualmente... Mas quando tira tudo que havia sido feito, acho que quem perde é o Vasco.

Como foi sua participação na negociação de patrocínio com a Lasa?

Durante a negociação, a Lasa se manifestou que gostaria de utilizar o sistema do Caprres para agregar valor à marca deles. Fazer um startup a partir do Caprres. Após o presidente já ter assinado com a Lasa, após já terem negociado valores e tudo o mais. Eles diziam que só avançariam se tivessem anuência do Alex Evangelista.

Qualquer vascaíno do mundo, sendo prometidos R$ 18 milhões, se sentiria ajudando o Vasco assinando. Eu fui lá, assinei e disse que o que pudesse contar comigo para que a marca se sentisse à vontade, eu estaria inteiramente à disposição. Entrei quando tudo já estava resolvido.

E depois não houve mais contato com o dono da Lasa?

Eu não tive mais contato. Não consegui mais contato com ele. Inclusive estou passando por uma grande dificuldade, porque ele prometeu, abri certos compromissos e eu não recebi o dinheiro do meu congresso (Ciprres, sobre saúde no esporte) e estou amargando um enorme prejuízo.

Globoesporte.com

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